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Quintas Justas Acompanham

Quintas Justas Acompanham

Qual é o mais importante intervalo musical?

Será que isso existe? Se existe, qual seria o intervalo mais importante?

O intervalo de quinta justa (5J), talvez? Ou o intervalo de semitom, já que é o menor intervalo da música ocidental e já que somando semitons, chegamos em qualquer outro intervalo musical? Ou seria o intervalo de um tom, ou até mesmo o de oitava?

Ou, talvez, isso dependa do contexto. Talvez o trítono seja o intervalo mais importante da música tonal.

Bom, na verdade isso não importa. O que quero hoje é deixar algumas “dicas” muito simples, que podem ajudar quem está estudando esse assunto.

As dicas se referem ao intervalo de Quinta.
Ao citar esse tema com meus alunos eu costumo dar o título de “Quintas Justas Acompanham”.
Mas antes de qualquer coisa, vou citar algumas razões para considerar o intervalo de quinta justa como um intervalo muito importante:

– o primeiro harmônico da série harmônica, logo depois da oitava, é o intervalo de quinta justa;
– é o intervalo do “famoso powerchord”, que os guitarristas tanto usam;
– baxistas frequentemente usam esse intervalo em suas linhas, assim como a mão esquerda do pianista;
– faz parte da formação de tríades e acordes;
– com uma sequência de quintas justas formamos uma escala pentatônica: dó sol ré lá mi;
– ou uma escala diatônica: fá dó sol ré lá mi si;
– através das quintas justas, cobrimos todas as escalas maiores e menores, bem como seus acidentes e suas respectivas armaduras de clave.

Enfim, agora vamos às informações e dicas:

– a quinta justa é um intervalo de 3 tons e meio ou 7 semitons;
– as quintas justas de notas naturais são naturais*: dó – sol, ré – lá, mi – si, fá – dó, sol – ré, lá – mi. Basta contar até cinco;
– *o intervalo si – fá é uma exceção, já que tem apenas 3 tons e forma um intervalo de quinta diminuta. A quinta justa do si é o fá#;
– quinta diminuta é um intervalo de 3 tons e quinta aumentada é um intervalo de 4 tons;
– “Quintas Justas Acompanham”: se a quinta justa de dó é o sol, qual a quinta justa de dó#? É o sol#. É só mover as duas notas do intervalo de quinta justa, que você continua tendo uma quinta justa;
– a partir daí fica fácil lidar também com as quintas aumentadas e diminutas: dó – sol (5J), dó – sol# (5A), dó – solb (5d);
– dó# – sol# (5J), dó# – sol## (5A), dó# – sol (5d).

Muito bem, quem é a quinta aumentada do mi?
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si# (sim, ele existe).

Quem é a quinta aumentada do lá?
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mi# (idem).

Quinta diminuta do fá?
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dób.

Agora, como lidar com o si?
si – fá# (5J), si – fá## (5A), si – fá (5d), sib – fá (5J), sib – fá# (5A) e sib – fáb (5d).

É isso, espero que ajude.

Bons estudos!

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê  fb.com/leandrofonsecatgk

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Mousikê Entrevista Paulo Anhaia

Dentro do universo da música, existe uma infinidade de opções de carreiras: compositor, arranjador, maestro, músico, professor. Cada uma destas opções pode se desdobrar em outras.

O compositor, por exemplo, pode compor o seu próprio trabalho autoral ou para outros artistas, pode compor trilhas sonoras para cinema ou televisão, pode compor para publicidade, fazendo jingles e comerciais, ou ainda, uma somatória dessas coisas.

O músico pode, da mesma forma, tocar suas próprias músicas ou “covers”, pode tocar em uma banda de baile, realizando formaturas, festas e casamentos, ou ainda, pode ser “sideman”, acompanhando algum artista, ou se especializar como um músico de estúdio, realizando gravações. Enfim, as opções são muitas.

Se incluirmos o mundo do áudio, temos ainda produtor musical, engenheiro de som, técnico de PA, entre muitas outras carreiras.

Nesta série, vamos entrevistar algumas pessoas que vivem de música, ou de áudio, para conhecer um pouquinho de como é o trabalho delas.

Mousikê Entrevista Paulo Anhaia

anhaia

Paulo Anhaia é produtor musical há mais de 20 anos, ganhador de 4 Grammys latinos, além de cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista e engenheiro de som. Vamos descobrir um pouco mais sobre o trabalho de um produtor musical.

1) Paulo, o que faz parte do trabalho de um produtor musical? Poderia fazer um resumo da sua rotina de trabalho?

Existem vários tipos de produtores musicais, vou falar como eu costumo trabalhar. Eu trabalho mais com bandas de Rock, Pop Rock e Metal, que além de serem estilos que eu gosto muito, são estilos onde fiz vários discos bem sucedidos.

O trabalho começa com a seleção de repertório, que é a parte mais importante, ter boas músicas é essencial, depois acertamos estrutura, arranjo das músicas, letras… Enfim, tudo o que pode ser feito para aumentar o potencial dessas músicas.

Todas as alterações são feitas de comum acordo, eu nunca imponho nada para nenhum artista. A vantagem que eu tenho, além da minha experiência profissional, é que não tenho nenhuma ligação emocional com as músicas e não estou envolvido em nenhuma questão política dentro da banda. Posso ter um parecer baseado somente no que a música me diz, que é o que acontece com os ouvintes.

Dentro do estúdio eu dirijo os músicos e engenheiros de som para ter o resultado que nós, a banda e eu, esperamos. Trabalho como engenheiro de som em várias das minhas produções, mas sempre que o cachê comporta, terceirizo a parte de engenharia de som pra me focar mais nas músicas, que é realmente a parte mais importante do trabalho.

2) Como você chegou a essa área?

Foi natural, eu sempre tive bandas e nelas eu era uma espécie de produtor sem saber disso. Eu sempre fui mais chato com relação aos arranjos, selecionava repertório de shows e etc. Depois que comprei meu primeiro gravador de 4 canais em cassete (não tinha essa de ter computador em casa no início dos anos 90) alguns amigos me procuraram para produzir o trabalho deles, e as coisas foram acontecendo.

Quando dei por mim, estava dentro de um dos maiores estúdios de gravação da América Latina, gravando artistas consagrados, como Rita Lee, por exemplo.

As pessoas ouviam os trabalhos que fiz e me procuravam para que eu trabalhasse pra elas.

3) Quais dos trabalhos com os quais esteve envolvido você considera mais significativos? Quais trabalhos mais gostou de ter feito ou mais gostou do resultado?

Tem vários! Como produtor, os trabalhos do CPM22 são os que mais me deram retorno, discos de ouro, prêmios e etc.

Fiz um CD do Oficina G3, chamado Indiferença, que até hoje me gera muito trabalho. O On the Rock do Resgate também é um disco da mesma época que as pessoas sempre me falam a respeito.

Eu gosto muito dos dois primeiros CDs das Velhas Virgens, aliás, o primeiro CD que produzi foi o primeiro CD deles. Foi a primeira banda a confiar no meu trabalho.

O CD Peixe Homem do Madame Saatan eu gosto muito também.

Como engenheiro de som, vários CDs do Charlie Brown Jr. Em especial o Bocas Ordinárias, em que fiz quase toda a parte técnica sozinho, os CDs do Rouge, em que fui também diretor e arranjador vocal, os CDs do NX Zero e vários outros.

4) Você também é músico, professor, compositor, entre outras coisas, como consegue conciliar as atividades e ser produtivo e em que o conhecimento musical o ajuda no trabalho de produção?

Houve uma época em que eu passava de 12 a 18h por dia dentro do estúdio e me sobrava pouco tempo para ser músico. Por mais estranho que pareça, foi justamente nessa época que montei a banda MonsteR, gravamos 3 CDs e fizemos shows pelo Brasil durante dez anos, hehehe, sei lá, acho que eu sou assim, não consigo fazer uma coisa só.

O conhecimento musical sempre foi mais importante do que o conhecimento de áudio pra mim. Tenho trabalhos que fiz no começo de carreira, sem muito conhecimento técnico e que as pessoas elogiam até hoje. Tenho certeza que isso acontece porque a parte musical desses trabalhos é boa.

5) Você ministra uma série de cursos e workshops sobre gravação, mixagem, produção e direção musical, também já foi professor de baixo, se pudesse resumir toda esta experiência em um conceito sobre música e musicalidade para um aluno, como seria?

Faça soar bem. Só isso.

Quer ser músico? Toca rápido? Soa bem? Não? Toque mais lento e faça soar bem, só toque mais rápido quando puder fazer isso soar bem.

Quer ser engenheiro de áudio? Conhece a parte técnica? Soa bem? Não? Mexa até soar bem. Comece acertando os volumes entre os instrumentos e só parta para algo mais rebuscado se isso não for o suficiente. Muita gente se perde com os métodos e esquece do resultado.

6) Para o artista, quais são as vantagens de trabalhar com um produtor musical?

Primeiro de tudo, ter uma visão de fora. É muito comum o artista estar tão envolvido com seu trabalho que ele acha que o que ele faz é perfeito, infalível, e melhor do que qualquer coisa já feita, hehehe.

Um produtor consegue ver o que o artista tem em potencial e trabalhar junto com o artista para trazer para a gravação o que o artista tem em mente.

Outra coisa muito importante, o produtor tem um método e consegue bons resultados rapidamente. Vejo muitos artistas gravando o mesmo trabalho há anos… Se o cara tem um produtor bom, é possível entrar num estúdio e em questão de dois meses ter um CD completo pronto.

O produtor seleciona, organiza e viabiliza o projeto.

7) Você defende que é possível fazer gravações “caseiras” com equipamento barato e ter um resultado profissional. Qual o segredo?

Ouvido. Um ouvido bem treinado pode ter um ótimo resultado com qualquer equipamento.

Nenhum equipamento no mundo vai fazer com que um som ruim fique bom. Um equipamento ótimo melhora o seu som consideravelmente, mas estamos falando, no máximo, de uns 10% de melhora. Quando falo isso, muita gente duvida, e eu não faço questão nenhuma de convencê-los do contrário.

Pra muita gente a coisa se baseia em fé. Se o cara acredita que ele toca mal porque não tem uma Gibson, ele vai acreditar nisso até ter a Gibson e poder tirar as conclusões dele.

Pra mim a coisa se baseia em experiência. Tudo o que a galera sonha, gravar com os melhores músicos, nas melhores salas, com os melhores equipamentos, eu já fiz. Mixei em mesa SSL por mais de 10 anos, sei do que esse tipo de equipamento é capaz, mas se for pra escolher entre ter um ótimo músico, como Maguinho Alcântara, Edson Guidetti, Pedro Ivo, Marcão (do Bula, ex Charlie Brown), Dani Weksler do Nx Zero, ou ter um ótimo equipamento, eu escolho os músicos.

Se com esses músicos eu ainda tiver um ótimo equipamento, sensacional, meu resultado vai melhorar mais uns 10%, hehehe.

O Tiririca gravado com o Mesmo equipamento do Freddie Mercury ainda soará exatamente como o Tiririca. 😀

8) Você já fez mixagens de gravações feitas ao vivo também. Qual a grande diferença, na sua opinião, entre o ao vivo e o gravado em estúdio?

No ao vivo a gente tem que aceitar mais os vazamentos e deixar a música te guiar mais do que numa gravação em estúdio. O equilíbrio no ao vivo vem do que está gravado, em certos casos você abaixa os pratos e eles continuam vazando na voz, você aumenta a guitarra e o grave do baixo aumenta, hehehe, é uma briga, mas aceitando o que está na gravação, fica bem divertido.

9) O que você acha essencial para que considere uma música boa? Qual sua dica para alguém que tem uma banda, ou que compõe, conseguir alavancar sua carreira?

Eu acho que as pessoas confundem a coisa da música ser boa ou ruim com o estilo da música. Pra quem não gosta de samba, nem mesmo o melhor samba agrada, e assim é com qualquer estilo de música.

Música boa é aquele que te toca, seja pra ter fazer chorar, sorrir, cantar junto, dançar… É subjetivo sim, mas fácil de avaliar quando se conhece o estilo em questão. Eu não produzo estilos que não conheço bem, não tenho critério de avaliação pra isso, quando as pessoas me procuram eu explico isso pra elas e não faço o trabalho.

Alavancar a carreira é uma coisa complicada. Eu não gosto do Music Business, nunca gostei. Acredito em longevidade, em fazer música que seja realmente significativa e que daqui a 30 anos ainda faça uma diferença na vida das pessoas, é isso que busco quando produzo, nunca penso no “novo hit do verão”, nada contra isso, mas não é o que eu busco.

10) Estamos passando por um grande mudança na forma como se produz, se consome e se ensina música. Qual a sua perspectiva para o cenário daqui a cinco anos?

Eu acredito que muitos artistas vão perceber que a liberdade que temos não é tão interessante.

Hoje podemos gravar um disco em casa. Sabe o que acontece? O cara passa 5 anos aprendendo a mexer no equipamento e quando vai ver perdeu o momento de sua carreira e resolveu passar a ser um produtor. Só que, assim como ele, os outros artistas estão perdendo seu tempo aprendendo a mexer em equipamento e não vão contratá-lo para produzir. Ele perdeu seu momento para construir uma carreira numa área que não é sua primeira opção e na qual possivelmente ele não será bem sucedido por falta de clientes.

Acredito que a galera vai focar mais na música, que é o que realmente importa. Ou ao menos é o que eu espero que aconteça, porque precisamos de renovação já.

A mesma coisa se aplica aos sistemas de streaming, por exemplo. Eles não dão dinheiro suficiente pro músico poder sobreviver de sua música. Por outro lado, ajudam muito um músico iniciante a aparecer. Agora, depois que esse músico aparecer, mesmo que ele seja um grande sucesso em termos de streaming, não vai conseguir seu sustento por isso. Complicado, não?

Para conhecer mais sobre o trabalho do Paulo, acesse http://www.pauloanhaia.com.br

Para receber um orçamento de produção, gravação, edição, mixagem e masterização mande um e-mail para contato@pauloanhaia.com.br

Valeu, Paulo!

Mousikê Central Art – Escola + Loja + Estúdio

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Rotina de Estudos Práticos

Rotina de Estudos Práticos

Como responder à pergunta que não quer calar: Qual a melhor forma de organizar os estudos para conseguir bons resultados?

Rotina de Estudos Diários

Eu acredito que a melhor forma é organizar uma rotina de estudos diários. Nada de horas de estudos, para a maioria das pessoas isso é impossível, mas uma rotina leve, algo entre 15 e 30 minutos diários.
*Se você não consegue se organizar para ter no mínimo 15 minutos de estudo em dias alternados, sinto lhe dizer que você demorará muito para aprender, se conseguir.

Nós, seres humanos, somos procrastinadores natos. Isso é um fato. Eu acredito que, sem disciplina, fica realmente muito difícil manter os estudos a médio ou longo prazo.

– Escolha um horário
Algumas pessoas são mais ativas ou estão mais propensas a realizar atividades no período da manhã, outras à tarde ou à noite. Escolha o melhor período pra você. Se você tem atividades durante o dia todo, trabalha durante o dia e cursa uma faculdade à noite, por exemplo, considere acordar um pouquinho mais cedo ou ir dormir um pouco depois. Talvez consiga se programar para estudar entre o trabalho e a faculdade. Lembre-se que estamos falando de 15 a 30 minutos para fazer algo que você gosta, algo pra você, por você. Pense bem, pode ser uma das poucas coisas que você faça no dia que seja exclusivamente por você, porque você quer, porque é um desejo seu. Acho que vale a pena. Se você tiver problemas com barulho para estudar muito cedo ou tarde, pesquise opções de instrumentos eletrônicos, abafadores, surdinas, algo que possa ajudá-lo a ter o som um pouco mais controlado.

– O que estudar
Isso vai depender muito do seu instrumento, do seu nível, fica difícil especificar. Em todo caso, eu acho que o tempo é o seu melhor amigo nesse momento de concentração. Eu costumo dividir o meu estudo em porções de 5 ou 10 minutos ininterruptos para cada assunto. Durante meia hora, consigo realizar até seis exercícios diferentes e praticá-los durante 5 minutos, o que é muito bom para adquirir força e resistência. Insisto nos mesmos exercícios até que estejam bem automatizados mecanicamente, sem “pirar” muito com velocidade. Aliás, acho importante estudar com metrônomo e tentar desenvolver a velocidade, aumentando aos poucos, de 2 a 5 BPM de cada vez, mas dentro da sua capacidade. Não tente correr! Com o tempo, você conseguirá tocar mais rápido naturalmente. Forçar o seu limite pode ser prejudicial e acabar provocando alguma lesão. Tenha cautela.

– Rotina
Esta é a parte que considero mais importante e mais delicada. É preciso desenvolver o hábito. Estudar tem que deixar de ser uma “obrigação” e passar a ser algo natural. Muitas pessoas vão tentar desestimulá-lo: “Se você não estudar só hoje, não fará diferença”; você mesmo tentará se desestimular: “Hoje é domingo”“Hoje é feriado”, “Amanhã eu faço”. Não se boicote! Não há problema algum em você estipular os dias em que não vai estudar. Não estudar aos finais de semana, ou às segundas ou em feriados, nas férias. Tudo bem. Mas não fure com você mesmo! Nos dias e horários estipulados, faça chuva ou sol, você tem um compromisso consigo mesmo. Os resultados devem encorajá-lo a continuar. Acredite! É possível!

Esta é a MELHOR maneira de estudar? Não! É a ÚNICA? Com certeza não! Pra cada pessoa diferente, caberia uma resposta diferente.
É apenas uma boa maneira de criar uma rotina saudável de estudos, que com certeza trará bons resultados.

Se você tem mais tempo, pode, sim, tentar estudar um pouco mais. Fazer a mesma sequência de meia hora pela manhã e depois à tarde, talvez. Ou tentar cobrir mais assuntos. Um período de estudo para técnica, outro para repertório e outro para improvisação ou leitura, por exemplo.
Acho importante apenas não ter pressa. A pressa e a ansiedade são suas inimigas. Elas tentarão fazer você correr para tentar tocar mais rápido, para acabar logo, e tentarão também fazê-lo pular lições, considerar um exercício que ainda está “mais ou menos” como bom e ir pro próximo.

O cuidado é em entender o que é o “bom de hoje” e o “bom do futuro”. Se você continuar estudando com frequência, é claro que daqui a um ano estará bem melhor do que hoje. Isso não quer dizer que você deva passar um ano inteiro fazendo o mesmo exercício. Acredito que algo entre uma semana e um mês (7 a 30 dias) é o suficiente para você avançar, mas seja o seu próprio juiz. Avalie-se constantemente, tente perceber quando está apto a seguir.

Outra coisa, ao menor sinal de desconforto, PARE! Não é normal sentir dor, é um sinal de que algo está errado. Quanto maior o tempo diário dedicado ao estudo, maior deverá ser o número de vezes em que você fará uma pausa para descansar e se alongar. A ideia é não causar nenhum stress físico. Um professor poderá auxiliá-lo em relação à postura, melhor forma para segurar o instrumento, posição dos dedos, etc. e também a avaliar o seu rendimento e direcioná-lo na escolha dos exercícios.

Rotina e Produtividade
A rotina ajuda, e muito, a produtividade. Anote o que está estudando e se organize para avaliar os resultados. Você perceberá sua evolução em pouco tempo.
Sem organização, meia hora não é nada. Pode acontecer de você “desperdiçar” esse tempo só pensando no que vai estudar ou tocando coisas aleatórias. É preciso foco. E tem mais uma coisa, é melhor um pouquinho por dia do que tudo num dia só. Tem uma frase atribuída ao Bruce Lee: “Eu não tenho medo do homem que praticou 10 mil chutes diferentes, mas sim do homem que praticou o mesmo chute 10 mil vezes”. Nosso cérebro precisa ser estimulado continuamente para que se desenvolva.

Ensaio mental
Por fim, uma última informação. Ensaio mental ou pratica mental é uma técnica para estimular o nosso cérebro a pensar nos estudos, mesmo quando não estamos estudando. É isso mesmo, durante o dia, quando tiver um tempinho livre ou enquanto estiver desempenhando uma tarefa que não exija 100% da sua concentração, tente realizar mentalmente algum dos exercícios que estiver estudando, sem a execução dos movimentos. Imagine que está executando uma escala, por exemplo.

Pense na digitação, um dedo de cada vez, pense na sonoridade, no timbre, nas alturas. Pense na divisão rítmica. É possível resolver uma série de coisas realizando essa técnica. Isso trará excelentes resultados.

Bons estudos!

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê Central Art fb.com/leandrofonsecatgk