Categoria: Colunas

Campo Harmônico

Campo Harmônico

Harmonia, s.f. 1. Sucessão de sons agradáveis ao ouvido; 2. arte de formar e dispor os acordes musicais; 3. disposição ordenada entre as partes de um todo; 4. suavidade de estilo; 5. concórdia; paz e amizade entre pessoas; 6. proporção; simetria; 7. coerência.

Harmônico, adj. 1. Concernente a harmonia; 2. em que há harmonia; harmonioso; 3. regular; coerente; proporcionado.

Amora (1998)

Harmonia: o ensino dos complexos sonoros (acordes) e de suas possibilidades de encadeamento, tendo em conta seus valores arquitetônicos, melódicos e rítmicos e suas relações de equilíbrio.

Schoenberg (1911)

A palavra harmonia no âmbito musical está sempre relacionada com acordes. Harmonia é o estudo dos acordes e suas relações e/ou funções.

Os harmônicos estão relacionados com a série harmônica, que também tem tudo a ver com formação de acordes, mas não é assunto para este post.

Campo, s.m. física 1. Região que se encontra sob a influência de alguma força ou agente físico; sentido figurado 2. área em que se desenvolve determinada atividade; 3. assunto, motivo, tema; 4. esfera de ação; domínio, âmbito.

Dicionário do Google (2018)

Campo Harmônico é, então, um grupo ou conjunto (Campo) de acordes (Harmônico), gerado a partir de uma escala. Usamos normalmente para isso nossas quatro grandes escalas.

Empilhando as notas das escalas em intervalos de terça (em dó maior, por exemplo: acorde I – dó mi sol si = C7M, acorde II – ré fá lá dó = Dm7, e, assim por diante, usando apenas notas da escala em questão), obtemos os campos:

Diatônico: C7M Dm7 Em7 F7M G7 Am7 Bm7(b5)
Menor Melódico: Cm(7M) Dm7 Eb7M(#5) F7 G7 Am7(b5) Bm7(b5)
Menor Harmônico: Cm(7M) Dm7(b5) Eb7M(#5) Fm7 G7 Ab7M Bº
Maior Harmônico: C7M Dm7(b5) Em7 Fm(7M) G7 Ab7M(#5) Bº

Para o campo harmônico em tríades, desconsidere as sétimas.

Dúvidas?
Entre em contato pelo e-mail: mousike@mousike.art.br

Referências:

AMORA, Antônio Soares Minidicionário Soares Amora da língua portuguesa. 4ª ed – São Paulo: Editora Saraiva, 1998.

SCHOENBERG, Arnold Harmonia. São Paulo: Editora UNESP, 2001.

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Leandro Fonseca fb.com/leandrofonsecatgk
Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê
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Sétimas e Tétrades

Sétimas e Tétrades

Depois de passar por quintas, terças e tríades, vamos às sétimas e tétrades.

Sétimas

O intervalo de sétima pode ser classificado de 3 formas:
– a sétima diminuta (º7) é um intervalo de 4,5 tons ou 9 semitons;
– a sétima menor (7) é um intervalo de 5 tons ou 10 semitons;
– e a sétima maior (7M) é um intervalo de 5,5 tons ou 11 semitons.

Entre as notas naturais:

– os intervalos dó – si e fá – mi são sétimas maiores, todos os outros (ré – dó, mi – ré, sol – fá, lá – sol e si – lá) são sétimas menores.
* não existe sétima diminuta entre notas naturais, sempre haverá algum acidente.

Com acidentes:

Se dó – si é uma sétima maior, o que seria do – sib?
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.
Uma sétima menor.

E qual seria a sétima diminuta de lá?
.
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Se lá – sol é uma sétima menor, lá – solb seria uma sétima diminuta.

Podemos pensar nas sétimas à partir da oitava:
– semitom abaixo da oitava está a sétima maior;
– 1 tom abaixo da oitava está a sétima menor;
– 1,5 tom abaixo da oitava está a sétima diminuta.

Tétrades

– ao acrescentar um intervalo de sétima à uma tríade, formamos uma tétrade, ou seja, um acorde formado por 4 notas: a fundamental (que dá nome à tétrade), uma terça, uma quinta e uma sétima.
* qualquer combinação de 4 notas pode ser considerada uma tétrade, porém, na prática musical, as formações derivadas de empilhamentos de terça (tríades + sétimas) são mais comuns e usuais.

Vejamos os sete tipos de tétrades que aparecem nos quatro campos harmônicos gerados pelas quatro grandes escalas e como são cifrados (exemplos em C):

Tríade aumentada + 7M = C7M(#5)
Tríade maior + 7M = C7M
Tríade maior + 7 = C7
Tríade menor + 7M = Cm(7M)
Tríade menor + 7 = Cm7
Tríade diminuta + 7 = Cm7(b5) ouø
Tríade diminuta + º7 = Cº

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Leandro Fonseca fb.com/leandrofonsecatgk
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Megadeth: De “The Call of Ktulu” à “Dystopia”

Megadeth: De “The Call of Ktulu” à “Dystopia”

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. – Antoine L. Lavoisier

Antes de ser expulso do Metallica, em 1983, Dave Mustaine já tinha contribuído com material  para os dois primeiros álbuns da banda, Kill ‘em All e Ride the Lightining (Metallica, 1983 e 1984). Pouco depois, incluiu sua “versão” da música “The Four Horsemen” no disco de estreia do Megadeth, Killing is my Business (Megadeth, 1984).

– The Four Horsemen 

– Mechanix 

A progressão de acordes de “The Call of Ktulu”, do álbum Ride the Lightning (Metallica, 1984), foi reaproveitada mais tarde como introdução do grande clássico do álbum Rust in Piece, “Hangar 18” (Megadeth, 1990).

– The Call of Ktulu (começa aos 2:35)

– Hangar 18 

“Hangar 18” é uma das músicas mais importantes e mais conhecidas do Megadeth, quase sempre presente nas apresentações da banda.
Tão importante que no álbum The World Needs a Hero (Megadeth, 2005) há uma música chamada “Return to Hangar”, que apresenta uma nova letra e arranjo, mas preserva a estrutura e o material melódico.

No último álbum da banda, que por sinal acaba de completar 35 anos, mais uma vez, Mustaine vai buscar inspiração em “Hangar 18”. “Dystopia”, a faixa título (Megadeth, 2016), apresenta exatamente a mesma forma musical que “Hangar 18”.

– Dystopia 

Ouça e compare as duas músicas. Perceba como muitos elementos são parecidos, não somente a ordem das partes, mas o caráter também. Repare, por exemplo, na introdução, nos versos e solos entre os versos e nas mudanças e solos a partir da metade das músicas.

Abaixo, vídeos do Kiko Loureiro, atual guitarrista do Megadeth, praticando as músicas:

Trinta e cinco anos depois, vemos os temas, os arranjos, as formas se transformando e algo novo surgindo. E pensar que tudo começou com uma “simples” progressão de acordes em Ré Menor. Progressão, aliás, que é um bom exemplo do uso do cromatismo, outra característica marcante da banda. Outro exemplo do uso do cromatismo no Megadeth está aqui: https://youtu.be/lv4LUGhiROE

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Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê fb.com/leandrofonsecatgk

Ensaio Técnico e Ensaio Artístico (ou Ensaio de Performance)

Ensaio Técnico e Ensaio Artístico (ou Ensaio de Performance)

Por Leandro Fonseca

Boa parte das bandas iniciantes, e até muitas iniciadas, se preocupa apenas com a parte técnica.

Os ensaios consistem em executar as músicas e ajustar detalhes dos arranjos.
Na hora do show, por mais perfeita que esteja a execução das músicas, essas bandas deixam a desejar em relação à performance e à fluência.
É importante estar também preparado e ensaiado para tornar o show dinâmico e interagir com o público.

Bati um papo com o Giuliano Bonetti, da banda Universo Relativo, pra ver como eles lidam com essa e outras questões.

Leandro Fonseca: Já assisti a UR se apresentando, mas o último show no Teatro Lauro Gomes (em São Bernardo do Campo), no dia 7 de outubro, chamou muito a minha atenção positivamente em relação à performance de vocês. Como vocês se prepararam para o show?

Giuliano Bonetti: Esse era um show que vínhamos planejando há bastante tempo. Tocar em um palco tão importante pra cultura da nossa cidade, ainda mais comemorando aniversário de banda, demandou bastante trabalho. Tivemos todos os cuidados com as pessoas que trabalhariam no dia como roadie, técnico de som, técnico de luz, fotógrafo, captação de áudio, de vídeo, além dos músicos que estariam no palco com a gente. O show começa na verdade em todo esse processo, fizemos ações em escolas, parcerias. Isso tudo além do principal: muito ensaio e dedicação pra pensar em cada detalhe do show.

LF: Nitidamente me deu a sensação de que estão em uma nova fase e atingiram um novo patamar de maturidade. Como trabalharam essa relação ensaio técnico vs. ensaio artístico?

GB: Fico feliz com o elogio, muito obrigado, mestre! Haha.
Os ensaios são o momento principal, é muito importante abrir mão de tocar alto e pensar no conjunto, assim conseguimos ouvir bem todos os instrumentos, sentir o que precisa ser melhorado. A gente buscou primeiro deixar cada música redonda e depois ensaiar bem todas as emendas, trocas de instrumentos, a fim de sentir o mais próximo do resultado final.

LF: Escrevi um texto exatamente sobre isso (Ensaie mais baixo e ouça melhor). Vejo que muitas bandas têm dificuldade em lidar com o volume nos ensaios. Ensaiam exageradamente alto, não se ouvem bem, e ainda correm o risco de desenvolver problemas relacionados à audição.

LF: Vocês chegaram a fazer um ensaio completo e cronometrar a duração do show?

GB: Sim, geralmente o último ensaio que fazemos, quando tudo já está ensaiado, é para passar o show completo. Serve para sentirmos o tempo das trocas de instrumentos, às vezes aquela afinada no instrumento entre uma música e outra, além de ver o tempo total de show. É bem legal para chegar seguro e já prever possíveis soluções caso algo dê errado na hora do show.

LF: Vocês fazem ensaios dedicados para vozes ou cordas, por exemplo?

GB: Sim, a gente costuma sempre passar as aberturas de voz separadamente, assim como baixo com a batera, baixo com a guitarra. Assim, evita de deixar passar algum detalhe que não esteja encaixando. A curiosidade foi que nesse show tivemos a participação de um violino e um violoncelo, o Tassinho (guitarrista) também ensaiou muito com eles e com o Vitão (tecladista) antes do ensaio com a banda completa.

LF: Alguém assina a produção do show?

GB: O show é todo pensado por nós mesmos, junto com nossa produtora, a Casa de Abelha. Mas a parte musical vai muito do nosso feeling mesmo. Nós temos o costume também de pensar a ordem do show considerando qual caminho queremos que o show faça. Por exemplo, se a primeira música tem que ser a mais empolgante, quais emendas podem ficar legais, quais espaços são necessários pra interação com público, onde colocar músicas novas. Assim, o Julio (batera) gosta até de fazer um gráfico, pensando quais lacunas precisamos preencher com cover ou até composições novas.

LF: Como escolhem o figurino?

GB: O figurino é escolhido com uma profissional, a Anna Beatriz Tomé. Ela atua com a gente nas fotos de divulgação, vídeos, tudo pensado na personalidade de cada um, na identidade da banda também. Já é lugar comum falar isso, mas é fundamental uma escolha criteriosa na imagem da banda em todos os momentos.

LF: E o repertorio? A escolha é democrática?

GB: Sim, somos uma banda muito democrática. A gente faz votação pra tudo. Então, a gente faz a avaliação do tempo de show, qual ordem pode ficar legal e assim, se precisar, escolhemos pontualmente algum cover para conversar com o restante do show.

LF: Vocês ensaiam tudo o que vão falar com o público e em quais momentos do show, ou tem uma dose de improviso?

GB: Nós sempre deixamos definidos os momentos em que as falas vão ser necessárias. Com isso, a gente já faz uma primeira divisão do que vai ser falado (redes sociais da banda, agradecimentos, contar a história da música seguinte). Mas é claro que o show nunca acontece da forma exata, então é importante ter jogo de cintura e improvisar de vez em quando. Acho importantíssimo que o show seja espontâneo e natural e, justamente por isso, é legal fazer um planejamento, assim me deixa seguro se na hora a corda de alguém estoura, se dá algum jazz na parte técnica.

LF: Vocês também costumam apresentar uma música cover nos shows. Como é feita a escolha da música e a elaboração dos arranjos?

GB: Somos uma banda autoral, então o cover vem para complementar algum momento do show, por isso escolhemos músicas que conversem muito com a proposta do show e com a nossa mensagem. Assim, a gente procura sempre fazer uma versão nossa da música.

LF: Vocês apresentaram músicas novas nesse show do Lauro Gomes e estão para lançar um vídeo de Himalaia, gravado ao vivo. Quando sai o vídeo e quais os planos para o próximo ano?

GB: O vídeo deve sair no dia 5 de dezembro, o lançamento será na página Brasileiríssimos no Facebook, não é por nada, mas ficou bem bonito! Haha.
Para 2018, estamos em fase de composição, pois queremos lançar alguns singles ao longo de todo o ano. A ideia também é trabalhar bem essas músicas com material audiovisual, então queremos dar uma atenção para o Youtube e as redes sociais. Estamos pensando a melhor maneira de fazer tudo isso.

LF: No fim do ano passado vocês lançaram música nova composta em parceria com o Capela. Alguma surpresa pra este fim de ano?

GB: Ano passado tivemos essa alegria de fim de ano com essa música, a Em busca de paz que está sempre nos nossos shows, a letra dela virou até tatuagem do meu irmão! Foi muito legal porque teve a participação de muitos artistas amigos nossos. Mas esse ano o lançamento que faremos é do vídeo ao vivo de Himalaia, além de alguns shows como a virada inclusiva dia 2/12 e estamos na semifinal do Fun Music. Nossa cabeça já está nos singles de 2018, mas quem sabe a Em busca de paz não aparece nas plataformas de streaming?

LF: Bom demais, Giu! Agradeço o papo e desejo mais sucesso e realizações ainda pra Universo Relativo. Sei que é um trampo feito com muito amor e empenho.

GB: Valeu pelo papo, muito legal falar desses detalhes que muitas vezes o pessoal não vê! Obrigado, mestre!

Para acompanhar a banda:
Instagram: @universo.relativo
Facebook: fb.com/urelativo

leandro

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê  fb.com/leandrofonsecatgk

Terças e Tríades

Falei anteriormente sobre os intervalos de quinta.
Agora, vamos ver informações e dicas bem simples a respeito dos intervalos de terça e sobre a formação de tríades.

Terças

– a terça menor é um intervalo de 1,5 tom ou 3 semitons;
– a terça maior é um intervalo de 2 tons ou 4 semitons;
– as terças menores de notas naturais são: ré – fá, mi – sol, lá – dó e si – ré;
– as terças maiores de notas naturais são: dó – mi, fá – lá e sol – si;

À partir daí fica fácil lidar também com os acidentes:

– dó – mib, fá – láb e sol – sib são terças menores;
– ré – fá#, mi – sol#, lá – dó# e si – ré# são terças maiores;
– dó# – mi, fá# – lá e sol# – si são terças menores;
– réb – fá, mib – sol, láb – dó e sib – ré são terças maiores;

Qual seria a terça menor de um sib?
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Vejamos, si – ré é uma terça menor, certo? Então a terça menor do sib é o réb.

E a terça maior de um fá#?
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Bom, se a terça maior do fá é o lá, a terça maior do fá# é o lá#.

Formação de Tríades

– uma tríade é formada por 3 notas, a fundamental (que dá nome à tríade), uma terça e uma quinta;
– existem 4 tipos de tríades: maior, menor, aumentada e diminuta;
– maior: F 3M 5J;
– menor: F 3m 5J;
– aumentada: F 3M 5A;
– diminuta: F 3m 5d;
– tríades maiores e menores têm quinta justa;
– tríades maiores e aumentadas têm terça maior;
– tríades menores e diminutas têm terça menor;
– a quinta das tríades aumentadas e diminutas acompanham o nome da tríade (5A para tríade aumentada e 5d para tríade diminuta).

Tríades

Se tiver interesse em saber como tocar e entender de forma organizada esses acordes (tríades) no violão e na guitarra, entre em contato pelo whatsapp (11) 94127-6244 e receba gratuitamente um pdf com uma explicação sobre as posições.

Bons estudos!

leandro

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê  fb.com/leandrofonsecatgk

Como aproveitar melhor os ensaios

Como aproveitar melhor os ensaios

Por Leandro Fonseca

Deixei aqui no Blog algumas dicas para melhorar o som de um ensaio. Caso tenha perdido, clique aqui.

A Manuela Perez também deixou algumas dicas específicas para cantores, que você pode ler nesse link.

Agora, vamos tentar tirar melhor proveito do ensaio em si.

Defina um objetivo

Pode parecer bobeira, mas se o objetivo do ensaio é somente encontrar os amigos, de vez em quando, e fazer um som, tudo que vem a seguir pode deixar de fazer sentido.
Por outro lado, o ensaio do show da sua banda é bem diferente de um ensaio de composição e criação, por exemplo, ou uma situação em que você é um músico contratado.
Então, na verdade, é importante que todos os envolvidos estejam alinhados com o mesmo objetivo.
Converse antes, saiba quais são as músicas que serão ensaiadas e certifique-se de que todos estão se baseando em uma mesma versão. É muito comum bandas que chegam na hora do ensaio e descobrem que o guitarrista, por exemplo, tirou a versão do disco, o tecladista tirou a versão de um DVD ao vivo, em outro tom, e o cantor tirou a versão editada (mais curta) do videoclipe.

Saiba as músicas

Como “regra” geral, ensaio não é ocasião para você “tirar” músicas. É importante chegar sabendo a sua parte.
Eu acho legal anotar pelo menos a forma da música antes, algo como: introdução 2x, verso 4x, refrão 2x, solo de teclado etc, desde que você saiba bem cada uma das partes. Dependendo do trabalho, pode ser interessante escrever mais detalhes ou até mesmo a partitura completa. Isso certamente vai ajudar com a sua parte, mas também pode ajudar a tirar dúvidas dos outros músicos, como onde exatamente o cantor volta depois do solo, ou quantas vezes se repete a parte final da música. Enfim, esteja o mais preparado possível.

Ensaie

Se o ensaio não é para tirar músicas é para quê?
O ensaio serve para tocar com outras pessoas, a(s) música(s) que você já estudou. Espera-se que cada um saiba a sua respectiva parte e que no ensaio sejam definidos  detalhes da harmonia e arranjos. Serve também para dar confiança para os músicos ao tocar em conjunto. No ensaio, você pode testar, errar, parar, continuar ou voltar do começo. O ensaio é mais uma etapa do estudo. É importante também dedicar ensaios exclusivos para que vozes e backing vocals tenham a harmonia e afinação checadas. É muito comum essa parte ser negligenciada.

Ensaio de show

Se os ensaios têm como objetivo uma apresentação, depois que as músicas estiverem devidamente tiradas e ensaiadas, é importante definir o repertório e a ordem das músicas. Tente antecipar os “problemas” técnicos que possam surgir, como troca de instrumentos, timbres ou figurino, e alinhe isso com a dinâmica das músicas e do show.
Tente pensar como se você estivesse assistindo, o que você esperaria, ou o que gostaria que a banda fizesse ou que não fizesse no palco.
Defina e estude as emendas de uma música na outra, bem como o que será falado com o público e em quais momentos.
Ensaie o show! Toque todo o repertório, do começo ao fim, na ordem estabelecida, com tudo o que foi combinado e como se estivesse valendo.
Pode ser legal filmar/gravar para assistir ou ouvir depois e analisar os erros e acertos. Esse ensaio pode também ser cronometrado para saber exatamente qual a duração do show.

Ensaio de pré-produção

Escrevi há um tempo esse texto sobre Pré-Produção, vale a pena dar uma olhada.

Se os ensaios antecedem uma gravação, é importante ser o mais detalhista possível.
O processo envolve um pouco de tudo o que foi exposto acima:

– saiba sua parte;
– tenha ao menos um mapa das músicas com forma, tonalidade, andamento e fórmula de compasso;
– os ensaios servirão para definir arranjos e convenções;
– alguém de fora, que não esteja emocionalmente envolvido com as músicas, pode dar boas sugestões;
– documente tudo;
– grave os ensaios para poder ouvir as músicas com calma;
– não esqueça dos timbres;
– capriche na guia.

leandro

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê  fb.com/leandrofonsecatgk

 

Escala Maior Harmônica ou A Quarta Grande Escala

Escala Maior Harmônica ou A Quarta Grande Escala

Por Leandro Fonseca

Anteriormente, vimos algumas informações sobre os Modos Diatônicos. Caso tenha perdido, acesse aqui.

Esses Modos podem ser entendidos e estruturados através da Escala Diatônica.

Tomando a Escala Diatônica de Dó Maior, como exemplo, teremos:

Jônio – Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó
Dório – Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó Ré
Frígio – Mi Fá Sol Lá Si Dó Ré Mi
Lídio – Fá Sol Lá Si Dó Ré Mi Fá
Mixolídio – Sol Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol
Eólio – Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol Lá
Lócrio – Si Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si

As Escalas Menores, por sua vez, geram os Modos Sintéticos, ou seja, variações dos sete modos originais.

Escala Menor Harmônica (F 2M 3m 4J 5J 6m 7M) em Lá:

Escala Menor Harmônica ou Eólio 7M – Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol# Lá
Lócrio 6 – Si Dó Ré Mi Fá Sol# Lá Si
Jônio #5 – Dó Ré Mi Fá Sol# Lá Si Dó
Dório #4– Ré Mi Fá Sol# Lá Si Dó Ré
Frígio Maior ou Mixolídio b9 b13 – Mi Fá Sol# Lá Si Dó Ré Mi
Lídio #2 (ou #9) – Fá Sol# Lá Si Dó Ré Mi Fá
Escala Diminuta Harmônica – Sol# Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol#

Escala Menor Melódica (F 2M 3m 4J 5J 6M 7M) em Dó:

Escala Menor Melódica ou Dório 7M – Dó Ré Mib Fá Sol Lá Si Dó
Frígio 6 ou Dório b9 – Ré Mib Fá Sol Lá Si Dó Ré
Lídio #5 – Mib Fá Sol Lá Si Dó Ré Mib
Mixolídio #4 (ou #11) ou Lídio b7 – Fá Sol Lá Si Dó Ré Mib Fá
Mixolídio b13 – Sol Lá Si Dó Ré Mib Fá Sol
Lócrio 9 ou Eólio b5 – Lá Si Dó Ré Mib Fá Sol Lá
Escala Alterada ou Super Lócrio – Si Dó Ré Mib Fá Sol Lá Si

Não muito usual, temos ainda a Escala Maior Harmônica.

Hoje, tratamos com naturalidade o uso de acordes do campo maior e menor dentro de uma mesma música, mas foi por meio da Escala Maior Harmônica que se deram as primeiras explicações teóricas a respeito do uso da subdominante menor em tons maiores e do sétimo grau diminuto resolvendo em uma tônica maior.

Hugo Riemann sugeriu que a subdominante menor em tons maiores funcionaria como uma dominante em tons menores.

Para Ernst Kurth, a Escala Maior Harmônica e o uso da subdominante menor em tons maiores foi um dos primeiros passos que a tonalidade clássica tomou em direção ao cromatismo de Wagner, que culminou com a dissolução completa do sistema tonal.

Essa escala, empregada a partir do século XIX, a princípio foi chamada de Maior-Menor.

O nome Escala Maior Harmônica foi adotado por Rimsky-Korsakov que reuniu uma série de exemplos e a colocou em pé de igualdade com a Escala Diatônica Maior.

Atualmente, a Escala Maior Harmônica é usada e difundida entre alguns músicos de jazz, mas fica aqui a minha sugestão para que você teste a sonoridade dessa escala e de seus modos sintéticos.

Aqui está uma música minha, baseada nesta escala:
https://youtu.be/UBudVxOPqG8

O álbum completo com outras músicas baseadas nesta escala está disponível no:
Bandcamp
Spotify
Deezer
Itunes
Youtube

Mais sobre o álbum: https://goo.gl/xtAYUs

Escala Maior Harmônica (F 2M 3M 4J 5J 6m 7M) em Dó:

Escala Maior Harmônica ou Jônio b6 – Dó Ré Mi Fá Sol Láb Si Dó
Lócrio 6 9 – Ré Mi Fá Sol Láb Si Dó Ré
Frígio b4 – Mi Fá Sol Láb Si Dó Ré Mi
Dório #4 7M – Fá Sol Láb Si Dó Ré Mi Fá
Mixolídio b9 – Sol Láb Si Dó Ré Mi Fá Sol
Lídio #5 #9 – Láb Si Dó Ré Mi Fá Sol Láb
Lócrio º7 – Si Dó Ré Mi Fá Sol Láb Si

Repare que as quatro escalas se diferem por apenas uma nota:

Diatônica – Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó
Menor Harmônica – Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol#
Menor Melódica – Dó Ré Mib Fá Sol Lá Si Dó
Maior Harmônica – Dó Ré Mi Fá Sol Láb Si Dó

Ou seja, não é muito difícil colocá-las em prática.

Podemos, ainda, resumir da seguinte forma:

A Escala Diatônica Maior (3M) e a Escala Menor Melódica (3m) se diferem apenas pela terça. A Escala Maior Harmônica (3M) e a Escala Menor Harmônica (3m) se diferem apenas pela terça. Nesse contexto, é conveniente, e até usual, chamar a Escala Diatônica Maior de Escala Maior Melódica.

leandro

Leandro Fonseca fb.com/leandrofonsecatgk
Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê
Youtube

Referências:
RILEY, Matthew. The Harmonic Major Mode in Nineteenth Century
OKAZAKI, Miles. Fundamentals of Guitar

10 dicas para você soltar a voz com mais tranquilidade durante um ensaio

10 dicas para você soltar a voz com mais tranquilidade durante um ensaio

Por Manuela Perez

Se prepare antes

1) Estude o repertório

É importante que você conheça bem as músicas que irá cantar. Nada mais profissional do que chegar ao ensaio sabendo a sua parte.

2) Descubra se a tonalidade das músicas está adequada para a sua voz

Caso sinta desconforto cantando alguma música, converse com a sua banda para mudar o tom.

Peça ajuda ao seu professor. Muitas vezes você até alcança o tom da música, mas precisa estudar mais alguma técnica específica. É muito importante conhecer sua própria voz.

3) Leve as letras para o ensaio

Faça anotações nas letras, principalmente sobre as técnicas: onde respirar, partes agudas, partes graves, entre outras que julgar necessárias. Isso te deixará mais confiante.

Além disso, para não ter dúvida na hora, anote também quantas vezes repete cada parte da música (refrão, parte A, parte B, etc).

Dia do ensaio

4) Tenha uma refeição mais leve

Antes de cantar, recomenda-se comer uma maçã.

Por ser adstringente, ela ajuda a limpar a boca e a faringe. Além disso, ajuda na ressonância e articulação. Outro ponto positivo da maçã é que o movimento da mastigação ajuda a soltar a musculatura.

Evite derivados do leite, chocolate, doces e refrigerante. Esses alimentos deixam a saliva mais grossa e dificultam a fonoarticulação.

5) Aqueça a sua voz

É importante aquecer a voz para prepará-la adequadamente na hora de cantar.

Faça exercícios de respiração, vibração de lábio ou língua e alguns vocalizes.

Para se sentir mais solto e relaxado, faça também exercícios de alongamento, já que a tensão atrapalha muito.

É importante que você esteja totalmente aquecido e relaxado.

Na hora do ensaio

6) Regule o microfone

Passe o som sempre. Tente regular bem a equalização e o volume do seu microfone. É importante que você esteja se ouvindo para não forçar a voz. Qualquer sinal de voz arranhada é um indício de que algo está errado, por isso é muito importante ajustar o microfone.

Neste link você encontra algumas dicas de como regular os equipamentos e instrumentos na hora do ensaio.

7) Beba água

Durante o ensaio beba água na temperatura ambiente. A água ajuda a não deixar sua boca seca enquanto canta. Além disso, a ingestão de água ao longo do dia hidrata a laringe e, assim, diminui os riscos de lesão nas cordas vocais.

8) Nunca ultrapasse o seu limite

Se sentir qualquer desconforto enquanto canta, pare e analise o que pode estar acontecendo. Se estiver com a voz cansada ou se estiver doente, não cante. Isso prejudica a saúde vocal.

Pós ensaio

9) Anote o que pode ser melhorado

Ao final do ensaio, faça anotações do que acha que pode ser mudado, o que faltou, o que errou ou mudanças que você acha importantes para a qualidade da sua voz. Converse com os músicos e peça sugestões.

10) Desaqueça assim que terminar de cantar

Faça exercícios de vibração de lábio ou língua na região grave. Isso ajuda a voltar a voz para região de fala, sem continuar forçando a musculatura.

E, aí? Gostou das dicas?

Deixe seu comentário.

manuela

Manuela Perez é cantora profissional e professora da Mousikê

Ensaie mais baixo e ouça melhor!

Ensaie mais baixo e ouça melhor!

Percebo que muitas bandas ensaiam com volume muito alto. Essa prática, além de poder causar perda irreversível da audição, também compromete a qualidade do ensaio.

Cena comum:

O guitarrista diz que não está se ouvindo e aumenta o volume do amplificador. Agora é o baixista que afirma se ouvir mal e também aumenta. Logo o baterista acha que está tudo alto e começa a tocar mais forte. O cantor, por mais que tente aumentar o volume do microfone, não consegue acompanhar a banda. Ninguém ouve a voz. De repente, uma microfonia. Tudo está embolado e batendo na casa dos 100dB ou mais.

Pareceu familiar?

Pois bem, algumas medidas simples podem ajudar bastante a mudar esse cenário e a tornar o ensaio mais saudável e produtivo.

Posicione melhor os amplificadores.

Se o amplificador está no chão, ou numa altura baixa, e apontando para as suas pernas você vai acabar aumentando o volume mais do que o necessário e ainda assim não irá se ouvir direito. Certifique-se de colocá-lo numa posição mais alta, com o falante apontando diretamente para sua cabeça. Dê um passo pra trás, tente se afastar um pouco do amplificador, isso também irá ajudar.

Por mais óbvio que isso possa parecer, ao tocar em conjunto, o objetivo não é ouvir o seu instrumento isoladamente, ou sobreposto aos demais, e sim ouvir todo mundo com a maior clareza possível.

É importante ouvir os outros. Não há espaço para o ego.

A bateria acústica, por não ter controle de volume, é o ponto de referência. Tente obter um bom equilíbrio entre baixo e bateria. Quanto menor o ambiente de ensaio, mais importante que o baterista segure um pouco a pegada. Não tocar a caixa com rimshot nos ensaios, por exemplo, já dá uma boa ajuda no controle do volume sonoro. Direcionar o amplificador de baixo levemente para o baterista poderá ajudá-lo. Em relação ao baixo, pode ser interessante diminuir um pouco o excesso de grave (abaixo de 100Hz) e o médio grave, algo em torno de 400Hz. Isso abrirá espaço para os outros instrumentos. Para mais definição, teste acrescentar um pouquinho de médio agudo, algo perto de 2,5kHz aproximadamente. 

Agora adicione os outros instrumentos (guitarras, teclados, etc) aos poucos. Certifique-se de que não estão com um grave desnecessário “brigando” com o baixo. Deixe espaço para o baixo e para o bumbo. O mesmo para o agudo, corte o que for desnecessário. Lembre-se, os instrumentos não têm que soar bem individualmente apenas, e sim em conjunto. Não adianta de nada sua guitarra estar com um som maravilhoso quando você está tocando sozinho, mas no conjunto estar conflitando com os demais instrumentos. Enfatizar por volta de 250Hz, pode dar uma esquentada no som, enquanto 2,5kHz poderá trazer presença e definição. Teste e faça os ajustes necessários.

Por fim, com os instrumentos regulados e equilibrados, inclua os vocais. Não há a necessidade de manter os graves. Se sua mesa tiver um hipass filter, usá-lo nas vozes pode ser uma boa ideia. É comum 75 ou 80Hz, mas, se tiver como escolher a frequência, pode subir um pouco mais, 100, 120Hz, faça um teste. Pode ser interessante também tirar um pouco de médio grave, algo entre 300 e 500Hz, mais ou menos, se possível. Teste. Algo em torno de 2kHz e 4kHz, aproximadamente, pode dar a definição que está faltando, experimente aumentar um pouquinho algo nessa faixa de frequência, se tiver essa opção. Ouça os agudos e analise se é interessante fazer alguma correção.

Leia o manual dos equipamentos.

Conhecer bem o seu próprio instrumento e equipamento é fundamental. No manual você vai descobrir, por exemplo, a quais frequências respondem os controles de grave, médio e agudo do seu amplificador, ou ainda, você poderá encontrar sugestões de conexões e regulagens de equalização para instrumentos específicos no manual da mesa de som. Em música, sempre há o que aprender, não se acanhe em pedir dicas, informações ou tirar dúvidas com músicos mais experientes. A grande maioria fica feliz em poder ajudar e compartilhar conhecimento.

Espero que essas sugestões ajudem a ter um maior controle do volume e ensaios melhores.

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê
fb.com/leandrofonsecatgk

Música e filosofia: a origem do nome música

Música e filosofia: a origem do nome música

Por Vagner Sardinha

Conversando sobre mitologia grega, uma pessoa me questiona: qual era considerada a musa da música? De imediato dei a seguinte resposta: “não existe uma musa da música, todas as musas são música”. Minha resposta incomodou de duas formas à pessoa que perguntara. Não seriam todas as musas da música? E, mesmo se assim o fossem, como poderiam todas elas serem da música? Calíope não era a musa da poesia? Clio da história? E assim por diante? Cada uma possuía o seu domínio como musa. Sim, concordo, porém, explicarei minha resposta inicial.

“não existe uma musa da música, todas as musas são música”

Para compreender que todas as musas são música é preciso compreender a origem das musas como guardiãs da memória. As musas nascem da união entre Zeus, o deus dos deuses do Olimpo e a filha de Urano e Gaia, irmã de Chronos e Oceanos, Mnemósine, deusa da memória. Não por acaso, Mnemósine guarda toda infinitude em sua genealogia – filha do céu (Urano) e da terra (Gaia), irmã do tempo e do oceano. Mnemósine atravessa o tempo absoluto, isto é, o tempo medido e racionalizado. Durante nove noites Zeus e Mnemósine copulam e dessa união nascem nove musas.

Elas, as musas, são o próprio canto no seu cantar, cantam a memória, nascem para trazer à presença, através do canto, a glória dos deuses. Acompanhadas da melodia da lira de Apolo, dançando e cantando ao redor da fonte e do altar de Zeus no Monte Olimpo, são filhas e ao mesmo tempo a própria personificação da memória. Uma vez em seu canto, o que foi dito não pode ser esquecido.

No grego antigo, esquecimento é dito na palavra lethe, o rio que atravessa o Hades (na mitologia grega, espécie do que se conhece por inferno), e quem bebe da água deste rio esquece tudo que viveu. O canto das musas é o não esquecimento dito na palavra a-lethéia, isto é, o que o grego entende por verdade. Essa verdade é aquilo que se apresenta da maneira que é, diferente da concepção dualística na qual compreendemos a verdade hoje: oposição entre verdadeiro e falso.

Leia o texto na íntegra.