Technical Dimensions PT. 2 – Brihadeeswarar Temple

Olá! Meu nome é Matheus Manente, sou musico e produtor musical. Nesta coluna, escreverei sobre dicas de composição e transcrições do meu álbum instrumental Illusions Dimension.

Semana passada, discutimos uma sequência de arpejos da música Market Garden que, além de ser escrita num modo diatônico bem diferente, serve como um ótimo exercício técnico! Caso você não tenha lido, clique aqui!

Hoje vamos conversar sobre duas frases muito interessantes da música Brihadeeswarar Temple, que também podem servir como excelentes exercícios para desenvolver a técnica e sincronia entre ambas as mãos! Ouça a música no link a seguir:

A primeira frase começa logo aos 24 segundos de música, e é baseada em Ré Lídio. Se você quiser explicações detalhadas sobre os modos gregos ou diatônicos, pode acessar o texto fantástico que o Leandro Fonseca escreveu clicando aqui! Em resumo, este modo diatônico é formado pelos seguintes intervalos (que incluem uma quarta aumentada):

F 2M 3M 4A 5J 6M 7M

A construção desta frase é muito simples e compreende somente a execução das notas da escala, que no caso de Ré são:

Ré – Mi – Fá# – Sol# – Lá – Si – Dó#

Se a composição é bastante simples, a real peculiaridade desta frase se dá na digitação, um padrão completamente fora do convencional e que, a princípio, com certeza vai dar alguns nós em sua mão. Um ótimo exercício para trabalhar a independência dos dedos!

Technical Dimensions 2 Figura 1.png

A segunda frase começa aos 4min09s da música, e logo no primeiro compasso, aparenta ser uma clássica frase construída sobre a escala de Fá# pentatônica menor, com a presença de uma blue note na quarta aumentada. No entanto, o segundo compasso revela uma sonoridade bastante diferente, advinda do próprio modo mixolídio b9/b13 que discutimos na semana passada:

Technical Dimensions 2 Figura 2.png

Então, qual é o segredo desta frase? Ela se baseia, principalmente, na omissão das notas características do modo e na inclusão de uma aproximação cromática.

No primeiro compasso, a omissão das notas características esconde do ouvinte o modo sob o qual estamos trabalhando, sem escapar da escala – A blue note surge como uma nota de aproximação, uma dissonância que se resolve na quinta justa, e reforça a “mentira” que estamos contando.

Já no segundo compasso, a frase revela finalmente outras notas do modo, e sua real natureza, que reside no modo frígio maior. A última nota a ser “revelada” é justamente a terça maior.

Os próximos compassos seguem um padrão de construção muito parecido, embora o quarto compasso seja ligeiramente diferente do segundo. Este é um ótimo exemplo de como o contexto no qual as notas são colocadas é capaz de manipular a sonoridade de uma música.

Technical Dimensions 2 Figura 3.png

E como toda a interpretação é relativa, vale a pena também observar esta frase através da perspectiva da utilização de outros dois modos, Fa# Lídio b7 na primeira parte e Mi Dórico #4 na segunda.

Curiosidade: Brihadeeswarar Temple foi a primeira música a ser composta para o álbum Illusions Dimension, que você pode baixar de graça clicando aqui!

Gostou? Conseguiu tocar as frases?

Não esqueça de deixar sua opinião!

Semana que vem tem mais! Até lá!

 

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