EFEITOS DE ÁUDIO / PEDAIS / SET UP

Texto extraído de nossa apostila Efeitos ©2015 

Os efeitos podem ser divididos em categorias de formas diferentes. Eu optei pela seguinte divisão:

1) Filtros
2) Efeitos que aumentam o sinal
3) Atrasos
4) Outros

1) Filtros
Equalizadores são filtros, não são necessariamente efeitos, mas podem ser usados para se conseguir timbres inusitados e interessantes. De qualquer forma, são responsáveis por filtrar as faixas de frequências indesejadas, moldando assim o timbre dos instrumentos e vozes.

Tipos de Filtros:

HiPass / LoPass (Filtro Passa-altas / Passa-baixas) – Filtra os extremos, deixando passar somente os graves (LoPass) ou agudos (HiPass), a partir da frequência estipulada. Exemplo: HiPass em 80Hz – filtra o que está abaixo de 80Hz e deixa passar tudo que está acima.

BandPass (HiPass + LoPass) – Filtra os extremos, deixando passar somente os graves ou agudos, a partir das frequências estipuladas. Exemplo: Filtra o que está abaixo de 400Hz e o que está acima de 2kHz.

Shelving – Aumenta ou atenua todas as frequências a partir de uma selecionada. Pode ser um Hi shelving ou Lo shelving. Exemplo: Aumenta ou diminui todas as frequências acima de 5kHz.

Peaking – Aumenta ou atenua uma frequência específica, mas, de acordo com a largura da banda (Q), pega algumas frequências vizinhas também.

Notch (Fenda) – Corta uma frequência específica.
O Wah-wah é um filtro BandPass que muda a faixa de frequência no espectro de acordo com o acionamento do pedal.

Noise Gate (portão de ruídos ou supressor de ruídos) é um “filtro de ruídos”. Bloqueia os sinais mais fracos do que o definido pelo Threshold e libera o sinal, assim que o nível ultrapasse o Threshold.

2) Efeitos que aumentam o sinal – Booster, Compressor, Overdrive, Distorção e Fuzz

a) Limpos – Não saturam o sinal

Booster – Na verdade não é um efeito, aumenta o sinal sem adicionar nada, nenhum tipo de distorção ou efeito. A qualidade do sinal é inalterada, apenas o volume é aumentado. Pode ser usado para aumentar o volume em um solo, por exemplo, ou para “empurrar” o amplificador, e assim forçá-lo a distorcer.

*True bypass e Buffer – O sinal não passa pelo circuito de um pedal true bypass quando esse está desligado. Em uma série de pedais true bypass, devido às inúmeras conexões e também à distância percorrida pelo sinal através dos cabos (da guitarra até os pedais e do último pedal até o amplificador), há uma perda considerável do sinal original, ou seja, o sinal se torna mais fraco e perde algumas características. Há a necessidade de utilizar um buffer para que o sinal original seja preservado.
Em pedais que não são true bypass já existe um buffer que faz esse trabalho. O sinal não atravessa o pedal se esse não estiver sendo alimentado, pois, de qualquer forma, o sinal passa pelo circuito do pedal e é reforçado pelo buffer.
O melhor sistema depende da qualidade do buffer. Pedais que não tenham um buffer de qualidade podem piorar o sinal, enquanto pedais true bypass, sem um buffer, ou com um buffer de baixa qualidade, da mesma forma, podem ter o sinal piorado.
Existem pedais de Boosters que já contém um Buffer.

Compressor – É mais um processador do que um efeito, suaviza o ataque e o decaimento de um sinal e amplifica a sua cauda (sustentação e repouso). Em outras palavras, segura os picos do sinal, enquanto impulsiona, amplifica, as partes mais baixas, dando assim a impressão de maior presença e volume. Pode ser usado como um booster.

b) Sujos – Saturam o sinal

Overdrive – Aumenta o sinal a ponto de “clipá-lo”. Os picos das ondas sonoras são cortados, provocando assim um som distorcido. O Overdrive é o efeito mais suave e versátil entre os distorcedores, podendo ir desde uma leve saturação em volumes mais baixos até uma distorção mais expressiva em volumes mais altos.

Distorção – Uma saturação mais intensa provocada por um aumento ainda maior do sinal.
Apesar de existirem vários tipos de distorções e ganhos, não há muita variação em relação à intensidade.

Fuzz – Saturação mais severa, capaz de transformar a onda sonora em praticamente uma onda quadrada, resultando em um som altamente distorcido.

3) Atrasos

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a) Ambiência
O Delay e o Reverb talvez sejam os efeitos mais usados em uma mixagem.

Delay (Atraso) – Grava uma cópia do sinal e dispara em atraso.
Pode ser mono ou estéreo, varia o tempo de atraso e o número de repetições.
Alguns tipos de delay: slapback, multitap, pingpong delay.

Reverb – Simula as reflexões de um ambiente. (Lembrando que o som é uma onda que se propaga em todas as direções e é refletido por alguns tipos de superfície). Pode simular o som se propagando e sendo refletido dentro de uma igreja ou de uma caverna, por exemplo.
Alguns tipos de reverb: Room (curto), Hall (longo), Plate, Spring.

b) Modulação
Os efeitos de modulação criam uma cópia do sinal com um ligeiro atraso em relação ao sinal original, provocando, assim, cancelamento de fases. Um modulador se encarrega de “varrer” as frequências canceladas pelo espectro sonoro.

Phaser – Atrasos de 1 a 10 ms geram um efeito conhecido como comb filter (filtro de pente). Algumas frequências são atenuadas (filtros do tipo notch) enquanto as frequências vizinhas são reforçadas. Estes “notchs” são movidos por um modulador dentro do espectro sonoro provocando o efeito característico.

Flanger – Atrasos de 1 a 20 ms com um modulador que varia a velocidade do atraso, mudando a fase e fazendo uma varredura no espectro sonoro. Basicamente é o mesmo que o Phaser, porém, enquanto o Phaser tem um número pequeno de filtros, o Flanger pode ter vários. * Até 20 ms nosso ouvido não percebe o atraso como um outro som, como acontece com o delay.

Chorus – Múltiplas cópias do sinal, com pequenos atrasos de tempo e afinação, para simular vários instrumentos tocando juntos a mesma coisa, mas com sensíveis variações de intonação, como acontece em um coral, por exemplo. O princípio também é bem parecido com o Phaser, porém os “notchs” não são varridos por todo o espectro, mas sim por frequências específicas, acima e abaixo deles.

4) Outros
Existem vários outros tipos de efeito, alguns se baseiam em Variação de Amplitude, como o Tremolo e o Panning.
Outros em variação de afinação, como o Vibrato que é um oscilador entre as notas vizinhas, acima e abaixo, da nota tocada.
O Pitch Shifter se baseia na transposição do som, acelerando ou retardando o som original, a fim de torná-lo mais agudo ou grave. Ao acelerar ou retardar o som, é necessário expandi-lo ou comprimi-lo para compensar a diferença temporal. Para isso, exige algoritmos mais sofisticados. Hoje existem pitch shifters inteligentes que não se baseiam apenas no intervalo musical (3ª maior, ou 4ª justa, por exemplo), mas sim na tonalidade, transpondo 3ªs maiores e menores, por exemplo, de acordo com o tom estipulado.

Dicas:
Você pode procurar por stems de músicas na Internet. São áudios de música com grupos de instrumentos. Um arquivo estéreo das guitarras, um da bateria, um do baixo e um da voz, por exemplo. Assim, você conseguirá ouvir separadamente os instrumentos e vozes, ficando mais fácil de perceber os efeitos. No YouTube mesmo, é possível encontrar bastante coisa. Procure pelo nome da música e acrescente “vocal only” ou “drums only”.

Neste vídeo, Steve Vai fala um pouco sobre a ordem dos pedais.

Abaixo a sugestão da Roland/Boss:

sequencia-de-pedais-compactos.jpg

O que eu considero mais importante de tudo é a distorção vir antes de efeitos de modulação e ambiência, por exemplo. Assim você está acrescentando efeitos ao som distorcido. Do contrário, você distorcerá o seu Reverb ou Chorus (pode ser interessante, não?).

Pesquise, teste, tire suas conclusões.

Referências:
No site da Gibson tem uma ótima série de textos (em inglês), sobre pedais de efeitos e efeitos, adaptados do livro: Guitar Effects Pedals: The Practical Handbook.
Parte 1: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-overdrive.aspx
Parte 2: http://www.gibson.com/news-lifestyle/features/en-us/effects-explained-booster-comp.aspx
Parte 3: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-overdrive-di.aspx
Parte 4: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-modulation.aspx
Parte 5: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/vibrato-tremolo-octave-divider.aspx
Parte 6: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-echo-delay.aspx
Parte 7: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-filtering-an.aspx

Outra página interessante é esta aqui:
http://www2.eca.usp.br/prof/iazzetta/tutor/audio/efeitos/effx.html
Site do Fernando Iazzetta, professor na área de Música e Tecnologia do Departamento de Música da Escola de Artes da USP e coordenador do Laboratório de Acústica Musical e Informática (LAMI).

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê fb.com/leandrofonsecatgk

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