Mês: fevereiro 2017

EFEITOS DE ÁUDIO / PEDAIS / SET UP

Texto extraído de nossa apostila Efeitos ©2015 

Os efeitos podem ser divididos em categorias de formas diferentes. Eu optei pela seguinte divisão:

1) Filtros
2) Efeitos que aumentam o sinal
3) Atrasos
4) Outros

1) Filtros
Equalizadores são filtros, não são necessariamente efeitos, mas podem ser usados para se conseguir timbres inusitados e interessantes. De qualquer forma, são responsáveis por filtrar as faixas de frequências indesejadas, moldando assim o timbre dos instrumentos e vozes.

Tipos de Filtros:

HiPass / LoPass (Filtro Passa-altas / Passa-baixas) – Filtra os extremos, deixando passar somente os graves (LoPass) ou agudos (HiPass), a partir da frequência estipulada. Exemplo: HiPass em 80Hz – filtra o que está abaixo de 80Hz e deixa passar tudo que está acima.

BandPass (HiPass + LoPass) – Filtra os extremos, deixando passar somente os graves ou agudos, a partir das frequências estipuladas. Exemplo: Filtra o que está abaixo de 400Hz e o que está acima de 2kHz.

Shelving – Aumenta ou atenua todas as frequências a partir de uma selecionada. Pode ser um Hi shelving ou Lo shelving. Exemplo: Aumenta ou diminui todas as frequências acima de 5kHz.

Peaking – Aumenta ou atenua uma frequência específica, mas, de acordo com a largura da banda (Q), pega algumas frequências vizinhas também.

Notch (Fenda) – Corta uma frequência específica.
O Wah-wah é um filtro BandPass que muda a faixa de frequência no espectro de acordo com o acionamento do pedal.

Noise Gate (portão de ruídos ou supressor de ruídos) é um “filtro de ruídos”. Bloqueia os sinais mais fracos do que o definido pelo Threshold e libera o sinal, assim que o nível ultrapasse o Threshold.

2) Efeitos que aumentam o sinal – Booster, Compressor, Overdrive, Distorção e Fuzz

a) Limpos – Não saturam o sinal

Booster – Na verdade não é um efeito, aumenta o sinal sem adicionar nada, nenhum tipo de distorção ou efeito. A qualidade do sinal é inalterada, apenas o volume é aumentado. Pode ser usado para aumentar o volume em um solo, por exemplo, ou para “empurrar” o amplificador, e assim forçá-lo a distorcer.

*True bypass e Buffer – O sinal não passa pelo circuito de um pedal true bypass quando esse está desligado. Em uma série de pedais true bypass, devido às inúmeras conexões e também à distância percorrida pelo sinal através dos cabos (da guitarra até os pedais e do último pedal até o amplificador), há uma perda considerável do sinal original, ou seja, o sinal se torna mais fraco e perde algumas características. Há a necessidade de utilizar um buffer para que o sinal original seja preservado.
Em pedais que não são true bypass já existe um buffer que faz esse trabalho. O sinal não atravessa o pedal se esse não estiver sendo alimentado, pois, de qualquer forma, o sinal passa pelo circuito do pedal e é reforçado pelo buffer.
O melhor sistema depende da qualidade do buffer. Pedais que não tenham um buffer de qualidade podem piorar o sinal, enquanto pedais true bypass, sem um buffer, ou com um buffer de baixa qualidade, da mesma forma, podem ter o sinal piorado.
Existem pedais de Boosters que já contém um Buffer.

Compressor – É mais um processador do que um efeito, suaviza o ataque e o decaimento de um sinal e amplifica a sua cauda (sustentação e repouso). Em outras palavras, segura os picos do sinal, enquanto impulsiona, amplifica, as partes mais baixas, dando assim a impressão de maior presença e volume. Pode ser usado como um booster.

b) Sujos – Saturam o sinal

Overdrive – Aumenta o sinal a ponto de “clipá-lo”. Os picos das ondas sonoras são cortados, provocando assim um som distorcido. O Overdrive é o efeito mais suave e versátil entre os distorcedores, podendo ir desde uma leve saturação em volumes mais baixos até uma distorção mais expressiva em volumes mais altos.

Distorção – Uma saturação mais intensa provocada por um aumento ainda maior do sinal.
Apesar de existirem vários tipos de distorções e ganhos, não há muita variação em relação à intensidade.

Fuzz – Saturação mais severa, capaz de transformar a onda sonora em praticamente uma onda quadrada, resultando em um som altamente distorcido.

3) Atrasos

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a) Ambiência
O Delay e o Reverb talvez sejam os efeitos mais usados em uma mixagem.

Delay (Atraso) – Grava uma cópia do sinal e dispara em atraso.
Pode ser mono ou estéreo, varia o tempo de atraso e o número de repetições.
Alguns tipos de delay: slapback, multitap, pingpong delay.

Reverb – Simula as reflexões de um ambiente. (Lembrando que o som é uma onda que se propaga em todas as direções e é refletido por alguns tipos de superfície). Pode simular o som se propagando e sendo refletido dentro de uma igreja ou de uma caverna, por exemplo.
Alguns tipos de reverb: Room (curto), Hall (longo), Plate, Spring.

b) Modulação
Os efeitos de modulação criam uma cópia do sinal com um ligeiro atraso em relação ao sinal original, provocando, assim, cancelamento de fases. Um modulador se encarrega de “varrer” as frequências canceladas pelo espectro sonoro.

Phaser – Atrasos de 1 a 10 ms geram um efeito conhecido como comb filter (filtro de pente). Algumas frequências são atenuadas (filtros do tipo notch) enquanto as frequências vizinhas são reforçadas. Estes “notchs” são movidos por um modulador dentro do espectro sonoro provocando o efeito característico.

Flanger – Atrasos de 1 a 20 ms com um modulador que varia a velocidade do atraso, mudando a fase e fazendo uma varredura no espectro sonoro. Basicamente é o mesmo que o Phaser, porém, enquanto o Phaser tem um número pequeno de filtros, o Flanger pode ter vários. * Até 20 ms nosso ouvido não percebe o atraso como um outro som, como acontece com o delay.

Chorus – Múltiplas cópias do sinal, com pequenos atrasos de tempo e afinação, para simular vários instrumentos tocando juntos a mesma coisa, mas com sensíveis variações de intonação, como acontece em um coral, por exemplo. O princípio também é bem parecido com o Phaser, porém os “notchs” não são varridos por todo o espectro, mas sim por frequências específicas, acima e abaixo deles.

4) Outros
Existem vários outros tipos de efeito, alguns se baseiam em Variação de Amplitude, como o Tremolo e o Panning.
Outros em variação de afinação, como o Vibrato que é um oscilador entre as notas vizinhas, acima e abaixo, da nota tocada.
O Pitch Shifter se baseia na transposição do som, acelerando ou retardando o som original, a fim de torná-lo mais agudo ou grave. Ao acelerar ou retardar o som, é necessário expandi-lo ou comprimi-lo para compensar a diferença temporal. Para isso, exige algoritmos mais sofisticados. Hoje existem pitch shifters inteligentes que não se baseiam apenas no intervalo musical (3ª maior, ou 4ª justa, por exemplo), mas sim na tonalidade, transpondo 3ªs maiores e menores, por exemplo, de acordo com o tom estipulado.

Dicas:
Você pode procurar por stems de músicas na Internet. São áudios de música com grupos de instrumentos. Um arquivo estéreo das guitarras, um da bateria, um do baixo e um da voz, por exemplo. Assim, você conseguirá ouvir separadamente os instrumentos e vozes, ficando mais fácil de perceber os efeitos. No YouTube mesmo, é possível encontrar bastante coisa. Procure pelo nome da música e acrescente “vocal only” ou “drums only”.

Neste vídeo, Steve Vai fala um pouco sobre a ordem dos pedais.

Abaixo a sugestão da Roland/Boss:

sequencia-de-pedais-compactos.jpg

O que eu considero mais importante de tudo é a distorção vir antes de efeitos de modulação e ambiência, por exemplo. Assim você está acrescentando efeitos ao som distorcido. Do contrário, você distorcerá o seu Reverb ou Chorus (pode ser interessante, não?).

Pesquise, teste, tire suas conclusões.

Referências:
No site da Gibson tem uma ótima série de textos (em inglês), sobre pedais de efeitos e efeitos, adaptados do livro: Guitar Effects Pedals: The Practical Handbook.
Parte 1: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-overdrive.aspx
Parte 2: http://www.gibson.com/news-lifestyle/features/en-us/effects-explained-booster-comp.aspx
Parte 3: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-overdrive-di.aspx
Parte 4: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-modulation.aspx
Parte 5: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/vibrato-tremolo-octave-divider.aspx
Parte 6: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-echo-delay.aspx
Parte 7: http://www.gibson.com/News-Lifestyle/Features/en-us/effects-explained-filtering-an.aspx

Outra página interessante é esta aqui:
http://www2.eca.usp.br/prof/iazzetta/tutor/audio/efeitos/effx.html
Site do Fernando Iazzetta, professor na área de Música e Tecnologia do Departamento de Música da Escola de Artes da USP e coordenador do Laboratório de Acústica Musical e Informática (LAMI).

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê fb.com/leandrofonsecatgk

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Modos Diatônicos

Existe uma quantidade enorme de textos sobre o assunto, por isso não pretendo aqui me alongar com mais do mesmo, e sim levantar algumas questões sobre o uso atual dos modos. Aqui expresso minha opinião sobre alguns aspectos, que é baseada na minha experiência de 20 anos como professor de música. Se você não concorda ou tem algo a acrescentar, sinta-se à vontade para deixar o seu comentário, assim todo mundo aprende.

1) Diferença entre Escala e Modo

Usamos indistintamente os termos Escala e Modo. Em ambos os casos, queremos fazer referência a uma sequência de notas, mas há uma diferença.
Enquanto a Escala apenas determina um conjunto de notas, o Modo sugere um contexto, uma sonoridade específica, uma associação a uma linguagem, uma origem, um sabor modal. Seria como dizer “ao modo de”. Ao modo dos flamencos ou ao modo nordestino, por exemplo. Estes termos já nos remetem a uma certa sonoridade.
Quando nos referimos ao modo Lídio, ou Dórico, é a mesma coisa, uma sonoridade única, impregnada de um sabor próprio.

2) Modos

Sim, os nomes são de origem grega, mas os modos como usamos hoje, não. Tampouco são eclesiásticos ou gregorianos. Os modos gregos eram outros, foram redescobertos e reinterpretados durante a Idade Média e seu uso, durante o desenvolvimento da polifonia, levou ao surgimento do sistema tonal. Depois, os modos novamente voltaram a ser empregados, mas agora associados à harmonia tonal, à transposição e ao cromatismo, ou seja, de forma diferente do uso dos gregos ou do uso na Idade Média.

“Através do romantismo os modalismos […] recalcados pela tonalidade clássica começam a voltar, assimilados agora, no entanto, à harmonia tonal, isto é, ao encadeamento de acordes, que, como sabemos, não existe nas tradições modais. Os modos são adaptados ao discurso tonal, produzindo nele novas inflexões”. (WISNIK, 1989, p. 159)

“Modernamente, o jazz será uma fonte de cruzamentos entre a harmonia tonal e as variações escalares modais, ocorrendo também esses cruzamentos em outros  gêneros de música popular, dos Beatles a Elomar, de Milton Nascimento a Miles Davis”. (WISNIK, 1989, p. 160)

Prefiro usar, então, Modos Diatônicos a Modos Gregos ou qualquer outra opção.

3) Os Nomes

Em grego temos: Doristi, Phrygisti, Lygisti, Mixolydisti.
Em inglês: Ionian, Dorian, Phrygian, Lydian, Mixolydian, Aeolian e Locrian. *também existem as opções Ionic ou Doric em inglês
Em português percebo uma certa “bagunça”, já que podemos usar Jônico ou Jônio, Dórico ou Dório, Eólio ou Eólico. Confesso que me incomoda um pouco a mistura, usar Jônio e Dórico, por exemplo. Se Jônio, prefiro Dório. Se Dórico, prefiro Jônico.
Tomando o inglês como referência, acho que faz mais sentido: Jônio, Dório, Frígio, Lídio, Mixolídio, Eólio e Lócrio. Não é uma questão de certo ou errado, apenas uma observação. Percebo que se usa muito, tanto Jônio quanto Jônico, mas pouco se usa Dório e Eólico.

4) Formação das Escalas (Modos)

A Escala Maior, formada pela sequência intervalar F 2M 3M 4J 5J 6M 7M, recebe também uma denominação modal, o modo Jônio.
Da mesma forma, a Escala Menor Natural, formada pela sequência intervalar F 2M 3m 4J 5J 6m 7m, recebe o nome modal Eólio.
Os outros modos se assemelham a esses e se dividem em dois grupos, os Modos Maiores e os Modos Menores, porém cada modo tem uma nota característica que o difere dos demais.
Os Modos Maiores são, além do próprio Jônio, o Lídio e o Mixolídio (possuem terça maior).
Os Menores, Eólio, Dório e Frígio (possuem terça menor).
Podemos usar o nosso alfabeto para gravar essa informação: as letras em sequência D, E e F representam os menores (Dório, Eólio e Frígio), e as letras, J, L e M, os maiores (Jônio, Lídio e Mixolídio).

modos-diatonicos

Na figura acima temos o triângulo preto com os Modos Maiores e seus intervalos (notas) característicos.
O Lídio é idêntico à Escala Maior, exceto pela substituição da 4J pela #4 (quarta aumentada).
O Mixolídio é idêntico à Escala Maior, exceto pela substituição da 7M pela 7 (sétima menor).
No triângulo cinza, temos os Modos Menores.
O Dório é idêntico à Escala Menor, exceto pela substituição da 6m pela 6M.
O Frígio é idêntico à Escala Menor, exceto pela substituição da 2M pela 2m (b9).
O Lócrio, ao centro, tem a seguinte formação intervalar: F 2m 3m 4J b5 6m 7m, ou seja, tem o intervalo de terça menor, que caracteriza uma escala menor, mas tem duas alterações em relação à Escala Menor Natural (2m e b5). Além disso, o intervalo de quinta diminuta (b5) lhe confere uma sonoridade diferenciada, sendo essa a sua nota característica. Por estes motivos, na figura, ele está separado dos demais modos, mas você pode considerá-lo um modo menor.

5) Da Sonoridade

Em relação à sonoridade dos modos, três informações são importantes, principalmente considerando o seu uso para a improvisação.
A primeira é a categoria do modo, se ele é maior ou menor, como vimos anteriormente. *o modo Mixolídio pertence à categoria Dominante, por ser maior com 7 (sétima menor)
A segunda é o intervalo característico que, além de diferenciá-los dos demais modos, lhes confere o sabor modal próprio.
A terceira é a cor do modo, se ele é mais claro ou mais escuro.

Hierarquia Modal:

Lídio F 2M 3M 4A 5J 6M 7M 8
Jônio F 2M 3M 4J 5J 6M 7M 8
Mixolídio F 2M 3M 4J 5J 6M 7 8
Dório F 2M 3m 4J 5J 6M 7 8
Eólio F 2M 3m 4J 5J 6m 7 8
Frígio F 2m 3m 4J 5J 6m 7 8
Lócrio F 2m 3m 4J 5d 6m 7 8hierarquia-modal

Chegamos a essa consideração importante, novamente fazendo uso dos intervalos de quinta justa, já que nessa ordem cada modo está separado por uma quinta.

Ainda utilizando as quintas justas, o círculo de quintas mais especificamente, podemos visualizar isso de outra forma: quanto mais notas no sentido horário, a partir da fundamental, mais claro o modo, quanto mais notas no sentido anti-horário, mais escuro.

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O Lídio tem a sonoridade mais aberta, mais brilhante, de caráter mais ascendente, enquanto o Lócrio é o modo de sonoridade mais escura, mais fechada, tendente a descer e resistente a subir.

6) Equilíbrio e Sistema Tonal

Repare como o modo Jônio está entre o Lídio e o Mixolídio e como o modo Eólio está entre os modos Dório e Frígio, sendo opções intermediárias, mais equilibradas, entre os modos maiores e menores. Seria por isso, talvez, que o sistema tonal convergiu para o uso destes dois modos? Existem várias outras razões, na verdade. A passagem do sistema modal para o sistema tonal se deu em meio a uma total confusão, mas esse é um ponto de vista interessante.

Repare como o Dório é o modo localizado ao centro da lista, sendo talvez o mais equilibrado de todos e, talvez por isso, o modo preferido durante toda a Idade Média. Repare também como o Dório é simétrico em sua formação intervalar: T S T T T S T

E mais, considerando o Dório como um espelho, vemos que o Frígio é a inversão do Jônio, o Eólio, a inversão do Mixolídio, e o Lócrio, a inversão do Lídio:
Jônio -> T T S T T T S <- Frígio
Mixolídio -> T T S T T S T <- Eólio
Lídio -> T T T S T T S <- Lócrio

É isso! Bons estudos!

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê fb.com/leandrofonsecatgk

Referências:
WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Companhia das Letras, 1989
CANDÉ, Roland de. História Universal da Música. São Paulo: Martins Fontes, 2001
SCHWARTZ, Anton. Disponível em http://antonjazz.com Acesso em 07/02/2017

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Quintas Justas Acompanham

Quintas Justas Acompanham

Qual é o mais importante intervalo musical?

Será que isso existe? Se existe, qual seria o intervalo mais importante?

O intervalo de quinta justa (5J), talvez? Ou o intervalo de semitom, já que é o menor intervalo da música ocidental e já que somando semitons, chegamos em qualquer outro intervalo musical? Ou seria o intervalo de um tom, ou até mesmo o de oitava?

Ou, talvez, isso dependa do contexto. Talvez o trítono seja o intervalo mais importante da música tonal.

Bom, na verdade isso não importa. O que quero hoje é deixar algumas “dicas” muito simples, que podem ajudar quem está estudando esse assunto.

As dicas se referem ao intervalo de Quinta.
Ao citar esse tema com meus alunos eu costumo dar o título de “Quintas Justas Acompanham”.
Mas antes de qualquer coisa, vou citar algumas razões para considerar o intervalo de quinta justa como um intervalo muito importante:

– o primeiro harmônico da série harmônica, logo depois da oitava, é o intervalo de quinta justa;
– é o intervalo do “famoso powerchord”, que os guitarristas tanto usam;
– baxistas frequentemente usam esse intervalo em suas linhas, assim como a mão esquerda do pianista;
– faz parte da formação de tríades e acordes;
– com uma sequência de quintas justas formamos uma escala pentatônica: dó sol ré lá mi;
– ou uma escala diatônica: fá dó sol ré lá mi si;
– através das quintas justas, cobrimos todas as escalas maiores e menores, bem como seus acidentes e suas respectivas armaduras de clave.

Enfim, agora vamos às informações e dicas:

– a quinta justa é um intervalo de 3 tons e meio ou 7 semitons;
– as quintas justas de notas naturais são naturais*: dó – sol, ré – lá, mi – si, fá – dó, sol – ré, lá – mi. Basta contar até cinco;
– *o intervalo si – fá é uma exceção, já que tem apenas 3 tons e forma um intervalo de quinta diminuta. A quinta justa do si é o fá#;
– quinta diminuta é um intervalo de 3 tons e quinta aumentada é um intervalo de 4 tons;
– “Quintas Justas Acompanham”: se a quinta justa de dó é o sol, qual a quinta justa de dó#? É o sol#. É só mover as duas notas do intervalo de quinta justa, que você continua tendo uma quinta justa;
– a partir daí fica fácil lidar também com as quintas aumentadas e diminutas: dó – sol (5J), dó – sol# (5A), dó – solb (5d);
– dó# – sol# (5J), dó# – sol## (5A), dó# – sol (5d).

Muito bem, quem é a quinta aumentada do mi?
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si# (sim, ele existe).

Quem é a quinta aumentada do lá?
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mi# (idem).

Quinta diminuta do fá?
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dób.

Agora, como lidar com o si?
si – fá# (5J), si – fá## (5A), si – fá (5d), sib – fá (5J), sib – fá# (5A) e sib – fáb (5d).

É isso, espero que ajude.

Bons estudos!

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê  fb.com/leandrofonsecatgk