Mês: outubro 2015

Mousikê Entrevista Danilo Battistini

Dentro do universo da música, existe uma infinidade de opções de carreiras: compositor, arranjador, maestro, músico, professor. Cada uma destas opções pode se desdobrar em outras.

O compositor, por exemplo, pode compor o seu próprio trabalho autoral ou para outros artistas, pode compor trilhas sonoras para cinema ou televisão, pode compor para publicidade, fazendo jingles e comerciais, ou ainda, uma somatória dessas coisas.

O músico pode, da mesma forma, tocar suas próprias músicas ou “covers”, pode tocar em uma banda de baile, realizando formaturas, festas e casamentos, ou ainda, pode ser “sideman”, acompanhando algum artista, ou se especializar como um músico de estúdio, realizando gravações. Enfim, as opções são muitas.

Se incluirmos o mundo do áudio, temos ainda produtor musical, engenheiro de som, técnico de PA, entre muitas outras carreiras.

Nesta série, vamos entrevistar algumas pessoas que vivem de música, ou de áudio, para conhecer um pouquinho de como é o trabalho delas.

Mousikê Entrevista Danilo Battistini

Danilo Battistini é um cara que acumula funções. Trabalha desde 2012 na Centauro, um renomado estúdio de dublagem e legendagem. Se você gosta de filmes e séries, com certeza você conhece o trabalho do Danilo. Vamos descobrir um pouco mais sobre o mundo da dublagem.

1) Danilo, você desenvolve uma série de atividades, poderia contar um pouco sobre o seu dia-a-dia de trabalho?

Desde que eu entrei até hoje, a minha rotina mudou bastante, até por conta do crescimento profissional aqui dentro da Centauro, então vou colocar por partes as funções que eu fiz (e as que ainda faço).

CORTE / MAPA DE ANÉIS: Quando comecei trabalhando aqui eu ainda não estava especificamente trabalhando com áudio. Dentro da dublagem, eu fazia o que chamavam de CORTE e MAPA DE ANÉIS. Pra quem tem interesse, um resumo a respeito disso: no início da dublagem, os filmes vinham em Rolos pra dublar, esses rolos eram literalmente cortados em trechos de 20 segundos e cada rolo de 20 segundos era chamado de Anel (ou, no inglês, Loop). Isso é uma questão técnica, porque, a partir do momento que você tem esses vários anéis, você consegue ter uma divisão de “Em quantos anéis o personagem X aparece?” e “Quantos anéis o dublador é capaz de dublar por hora?” e a partir disso veio a questão mais legal (legal no sentido de normas/regras/leis/etc.) da coisa, você conseguiu definir o valor da hora do dublador (e do técnico de captação e do diretor de dublagem), assim dava pra definir um jeito melhor de fazer um orçamento de uma produção e do pagamento. Ou seja, quando eu entrei, eu assistia os filmes e fazia esse corte no texto traduzido pra que o estúdio fizesse as escalas com os dubladores e tudo mais.

TÉCNICO DE CAPTAÇÃO: Trabalhando junto com o diretor de dublagem e o dublador. A rotina de estúdio é sempre a mesma, mas sempre diferente, porque você pode gravar diferentes produções, diferentes dubladores, diferentes diretores de dublagem, o seu horário depende da escala do estúdio, então pode não ser muito ‘rotineiro’, mas o trabalho em si não muda. A rotina de gravação é:

1) Ajustar microfone de acordo com a altura do dublador;

2) Prestar atenção, durante a gravação, com ruídos no áudio (Pufs, sibilância, estalos, barulho de caneta, se o dublador se mexer na cadeira, papel do texto no meio da fala, etc…);

3) Tomar cuidado com o volume de captação, se você captar algo muito baixo, quando você der ganho na mixagem vem muito ruído, e se você captar muito alto corre o risco do áudio clipar (estourar, distorcer) e comprometer a fala;

4) O técnico de captação, o diretor de dublagem e o dublador são uma equipe, então também podia dar meus palpites (nunca sendo desrespeitoso) se alguma fala não tivesse ficando legal, se alguma fala ficou muito comprida, dando sugestões, se poderia trocar o texto e coisas do tipo.

Depois de um tempo captando, eu entrei pra área de pós-produção, essa parte envolve a Mixagem, Controle de Qualidade (mais comum no meio como QC, do inglês, Quality Control)

MIXAGEM: Uma rotina da mixagem envolve pegar o projeto de gravação do estúdio, importar o áudio do programa de M&E (Music and Effects / Música e Efeitos. É uma pista de áudio do programa que contém todo o som do filme sem os diálogos, pra que a gente coloque a dublagem). O critério de mixagem é sempre manter o áudio dublado o mais próximo do original e o tempo de trabalho varia bastante dependendo do programa, tem alguns mais complicados, alguns menos, mas, como média, o tempo de mixagem que se estima pra um produto é de 3 pra 1 (Exemplo: se o programa tem 20 minutos, uma mixagem levaria 1 hora. Um filme de 1h20 levaria cerca de 4 horas e por ai vai). Na mixagem, o que se faz é ajustar efeitos, nivelar volume, ajeitar o volume da M&E, acertar reverb de cada cena, enfim, mixar o programa inteiro.

QC / CONTROLE DE QUALIDADE: Uma rotina de QC envolve pegar um projeto já mixado e assistir de forma crítica. Fazer o ajuste mais preciso do Sync das falas, acertar o volume, se necessário, verificar se tem algum erro gramatical, se falta alguma fala e coisas do tipo. E depois passar um relatório para o estúdio se precisar de alguma correção (ou também chamado de Retake).

A minha rotina, atualmente, varia bastante, dependendo dos trabalhos aqui do estúdio. Eu trabalho das 7h~16h (com alguns dias fazendo horas extras se tiver alguma produção mais urgente). Quando chego, eu vou pra minha sala de Mixagem e a primeira coisa que faço é ver os e-mails, que é por onde geralmente meu chefe diz qual ordem de mixagem/QC/outras tarefas. Cada dia é um dia diferente de trabalho, pela produção ser diferente.

Além disso, quando tem algum serviço específico, eu também faço edição de vídeo e inserts de legenda.

2) Como você chegou a essa área? Fez algum curso específico? Qual a sua formação?

Quanto à minha formação, me formei pela Anhembi Morumbi em Produção Musical em 2011 e Rádio e TV em 2014. Comecei a trabalhar em estúdio no começo de 2010, quando consegui um estágio no estúdio Ultra-Sônica. Trabalhei lá alguns meses só, lá era (fechou ano passado, se não me engano) um estúdio de música, trabalhavam com ensaios e gravações, inclusive, nesse estúdio, eu tive a oportunidade de conhecer algumas bandas como Angra, Cavalera Conspiracy, acompanhei a gravação da bateria do Mentalize do André Matos, mas, por ser um estágio, as minhas funções eram simples, eu trabalhava organizando os estúdios e fazendo gravações de ensaios.

Depois desse estúdio, em outubro de 2010, eu consegui um emprego como Assistente de Edição de Som no estúdio INPUT Arte-Sonora. Meu trabalho aqui era voltado pra gravações e edições de spots pra rádio/Internet, gravação de foley (efeitos sonoros) e edição de áudio para TV e Cinema. Foi aqui que eu tive meu primeiro contato com dublagem, quando gravei um dublador pro filme longa metragem Brasil Animado. Também gravei duas crianças pra animação Caco e Dado, da TV Cultura.

Eu sai da INPUT na metade de 2011 e comecei a trabalhar como editor de som, artista Foley e Sound Designer freelancer.

Em 2012, através do site Tela Brasileira (que é praticamente uma Catho pra área audiovisual), me ligaram para a entrevista na Centauro e comecei a trabalhar já no dia depois da entrevista.

3) Você estuda música desde 2002, toca diversos instrumentos, este conhecimento musical ajuda no seu trabalho?

Ajuda sim, em vários pontos. Apenas o fato de estudar música, por si só, já ajuda a treinar o ouvido, então ele fica mais apurado, por exemplo, para equalizar uma voz que talvez tenha sido mal captada, ou enviada de outro estúdio que tem uma sala de gravação diferente da Centauro. Definir melhor quando existem ruídos de gravações, além de uma parte mais técnica quanto a conhecer equipamentos de áudio (fones de ouvidos, monitores, DAWs, Interfaces de áudio, microfones, etc…) ou até mesmo, em casos de mixagem, quando tem algum personagem falando através de um alto-falante, uma caixa de som, ajuda quando for colocar o efeito naquela voz pra que pareça estar soando como no original.

Em outros casos mais específicos, aqui no estúdio nós gravamos algumas músicas para séries, filmes e brinquedos. Geralmente, pedem pra que eu, o João (que é o outro mixer aqui da Centauro que é formado em Música) ou algum técnico que tenha conhecimento musical trabalhe na captação de voz desses projetos, pois, por ser um trabalho mais específico, é bom ter o conhecimento musical durante a gravação, saber se a pessoa está cantando no tom certo, se está no tempo certo entre outros pontos. A direção musical desses projetos quase sempre é feita pelo Nil Bernardes.

Fora que, pra mixagem, sempre cai na minha mão ou na do outro mixer da casa, então é um grande “plus” que a gente tem pelo fato de trabalhar com música.

Esses projetos que precisam gravar música são enviados o áudio apenas com a base instrumental, entre alguns projetos desse tipo que participei como técnico de captação, mixagem ou direção musical:

– Vários brinquedos da Fisher Price (Técnico de Captação);

– Músicas da série 3rd & Bird, atualmente no Netflix (Mixagem);

– Abertura de animes como Pokémon, Bakugan, Super 11, etc… (Técnico de Captação/Direção);

– Alguns pontos de música da série The Crazy Ones (Direção, pois a música foi cantada em inglês);

– Músicas do especial de natal do desenho Walter & Tandoori (Adaptação/Direção).

Ainda teve momentos mais específicos em que, além da captação e mixagem, eu também trabalhei na tradução e adaptação da letra em inglês para a versão brasileira, como na abertura da 16ª e 17ª temporada de Pokémon e até um rap de uma série do canal Lifetime chamada Younger.

4) Já ouvimos dizer que existem algumas palavras que não podem ser usadas em uma tradução, verdade ou mito?

É verdade, mas são para clientes específicos.

Sou tradutor pra dublagem e legenda desde 2013 e, por exemplo, um dos clientes aqui do estúdio envia um documento falando quais palavras não podem ser usadas com sugestões do que pode ser utilizado no lugar, isso engloba até mesmo algumas regras gramaticais, que mesmo que exista uma diferença entre a linguagem escrita e a linguagem falada, o cliente não quer que utilize alguns “coloquialismos”, como por exemplo, pedem pra cortar o artigo “o – a”  (Exemplo: “a sua casa” => sua casa;  “Pega o meu boné” => Pega meu boné) além de coisas como trocar “Vou ajudar ele” para “Vou ajudá-lo”. 

Essa, inclusive, é uma das grandes críticas não só de espectadores, mas também de tradutores e dubladores! Porque isso deixa uma fala muito engessada e descaracterizada (Quantas vezes você vai ouvir um cara que viveu a vida toda na periferia, fugiu da escola e foi preso falando um português correto e sem nenhum palavrão?), além de fugir do que está sendo dito no original. Alguns dubladores, inclusive, pararam de trabalhar com alguns clientes específicos por conta dessas regras.

No meu caso, quando eu traduzo, eu já penso em adaptar toda a frase pra que não precise colocar essas regras, tentando deixar a fala do jeito mais ‘falado’ possível.

5) Além da tradução e da dublagem, tem também o som ambiente. Na Centauro é feita essa parte? Em caso afirmativo, fale um pouco sobre.

Essa parte quase sempre é enviada pelo cliente, foram bem poucas as vezes em que a gente teve que montar alguma coisa da ambiência. Quase sempre esse áudio da M&E (Música e Efeitos) é enviado pelo próprio cliente. Conheço alguns outros estúdios de dublagem que fazem esse serviço (que chamam de “Montar M&E”), mas é por pedido do cliente, os clientes que trabalham com a gente mandam a M&E.

Inclusive, isso também é, em parte, responsável por algumas críticas aos programas dublados, dizendo que a ambiência de cenas não é tão presente quanto no original e coisas do tipo. O fato é que tem clientes que enviam M&Es muito boas e clientes que enviam M&Es horríveis.

6) Quantos profissionais, em média, são necessários para realizar a dublagem de um longa?
Depende muito do longa, vou falar um pouco das “normas” da dublagem, pra tentar ajudar a imaginar a estimativa baseado em todas as áreas desde que um cliente pede para que um programa seja dublado:

– 1 Tradutor;

– 1 Responsável pelo Corte e Mapa de Anéis (Em alguns casos pode até ser o próprio tradutor ou o diretor de dublagem);

– 1 Diretor de Dublagem (Isso em estúdio, pode haver alguma troca de direção para um personagem ou outro, dependendo dos horários dos dubladores, entre diversos outros compromissos pessoais);

– 1 Técnico de som (Isso em estúdio, pode haver troca de técnico dependendo do horário da escala dos dubladores, entre diversos outros compromissos pessoais);

Quanto aos dubladores existem algumas regras que servem como guia para toda a categoria de dubladores, entre elas:

– Um programa possuí um elenco de PROTAGONISTA 1 (a personagem com mais anéis no programa),  PROTAGONISTA 2 (a 2ª personagem com mais anéis no programa),  COADJUVANTE 1 (a 3ª personagem com mais anéis no programa), COADJUVANTE 2 (a 4ª personagem com mais anéis no programa) e PONTAS (que são todas as outras personagens do programa). Essa divisão também é feita para o pagamento. Quem dubla o PROTAGONISTA 1 ganha mais pela hora de dublagem do que o PROTAGONISTA 2, que ganha mais que o COADJUVANTE 1 e por ai vai.

– Qualquer dublador que tenha uma personagem com mais de 20 anéis não pode fazer outro personagem.

– Um dublador pode ter no máximo 3 dobras (fazer 3 personagens que somando todos os anéis que eles entram não ultrapassem 20 anéis). Nota: Isso em São Paulo, no Rio de Janeiro um dublador pode fazer 4 dobras.

Ou seja, o número de dubladores para uma produção varia muito dependendo do filme.

7) Qual a função de cada um deles e qual a cadeia de produção?
Dentro da cadeia de produção da dublagem temos:

CLIENTE – Quem decide dublar o produto, responsável pelo envio do material (Vídeo + Script para tradução + M&E).

TRADUTOR – Responsável pela tradução do programa.

CORTE/MAPA DE ANÉIS – Responsável por fazer o corte e o mapa de anéis do programa.

DIRETOR DE DUBLAGEM – Responsável por fazer a ESCALA do filme (Escalar o filme é escolher quais dubladores vão fazer parte do elenco e quem vai dublar quem) e pela direção do dublador dentro de estúdio.

EQUIPE DE PRODUÇÃO NO ESTÚDIO – Responsável por entrar em contato com os dubladores/diretores de dublagem/técnicos de som para marcar os horários de gravação.

TÉCNICO DE CAPTAÇÃO – Responsável pela gravação no estúdio;  Gravar em bom nível, ficar atento aos ruídos e barulhos na fala, nomear as pistas de gravação corretamente etc…

TÉCNICO DE MIXAGEM – Responsável pela mixagem do programa; Mixar a dublagem com a M&E adicionando efeitos, equalização quando necessário, mantendo o produto final com um volume nivelado, pra que não fique uma mixagem ruim em que a VOZ e a M&E estejam em níveis muito diferentes, efeitos exagerados e etc…

TÉCNICO DE QC – Responsável pelo Controle de Qualidade do produto finalizado; Avaliar criticamente o programa, pedir correções quando necessário, fazer ajustes mais precisos quanto ao sync e volume da mixagem, podendo, inclusive, pedir para trocar dubladores caso a voz não tenha ficado boa em determinado personagem.

Depois do QC, o produto é enviado para o cliente que realiza o próprio QC deles e pede correções, quando necessário.

8) Uma pergunta mais técnica. Quais as ferramentas que você usa na gravação e mixagem? Microfones, Interface, DAW, plugins, etc. Conte um pouco sobre seu método de mixagem.

Praticamente todos os estúdios de dublagem que conheço trabalham com Pro Tools, tanto na captação quanto na Mixagem. Aqui na Centauro temos 7 estúdios de captação e 3 estúdios de Mixagem/QC.

Nos estúdios de captação trabalhamos com: iMac i5 17 polegadas 8Gb RAM, Microfone Neumann TLM-102, Interface M-Audio MBOX, DAW Pro Tools (Express e 10.3).

Nos estúdios de Mixagem/QC trabalhamos com: iMac i5 27 polegadas 16Gb RAM, interface M-Audio MBOX PRO, DAW Pro Tools 10HD, sistema 5.1, 5 caixas M-Audio BX6 e 1 sub Yamaha YST SW012. Nós usamos o pacote de plugins da Waves 9.

Quando me passam alguma coisa pra mixagem, a primeira coisa que faço é importar um template básico que eu tenho criado já com as pistas auxiliares com os plugins que eu sempre uso. De forma simplificada, a minha sessão de mixagem funciona da seguinte maneira (tanto para mixagens 2.0 como para mixagens 5.1):

– 1 canal Stereo com a M&E (Endereçada para o canal de mixagem); Nesse canal eu deixo o plugin PhaseScope para garantir que a M&E esteja Estéreo;

– 1 canal Stereo com o áudio original (Ele sempre fica mutado, sem som, apenas ouço em algumas cenas para ter a referência para mixagem, uso de efeitos/reverb na cena/saber quando está faltando fala/etc… );

– 1 canal Auxiliar com um Reverb para ambientes grandes;

– 1 canal Auxiliar com um Reverb para ambientes médios;

– 1 canal Auxiliar com um Reverb para ambientes pequenos;

**Outros reverbs são criados apenas em caso de necessidades específicas, mas, de modo geral, a possibilidade de usar os reverbs de formas individuais ou somadas quase sempre me dão um resultado como o do original**

– 1 canal Auxiliar mono com os seguintes plugins para processar a voz dublada: Equalizador (EQ3- 7 Band), Limiter (L1 Limiter), Compressor (Dyn3 Compressor), RDeEsser (plugin usado para diminuir a sibilância), MaxxBass (para dar um ganho no grave)  e OneKnobBrighter (para dar mais brilho na voz); A ideia desse canal com esses efeitos é pra dar uma “mascarada” no som de estúdio, aproximando mais o dublado para dentro da cena;

– 1 canal com diversas opções do plugin Speakerphone;  Esse plugin simula diversos meios por onde a voz propaga já com diversos presets, como por exemplo: TVs, Carros, Celular, Walkie-Talkie, Megafone, Alto-Falante, Brinquedos, Amplificadores, entre diversos outros;

– 1 Canal Stereo com a PRÉ (Esse canal contem apenas as vozes processadas, ou seja, que já passaram por todos os Plugins mencionados antes), esta pista também é conhecida como DSTM (do inglês, Dialogue Steam), esse canal é endereçado para o canal de mixagem;

– 1 Canal Stereo com a MIX (O canal com a mixagem final do produto), nele eu deixo o plugin PhaseScope, Dorrough Meter e WLM Meter para manter controle do nível geral e momentâneo da mixagem.

Sempre que enviamos um arquivo para o cliente, enviamos a MIX e a PRÉ. Esse arquivo de pré, geralmente, é utilizado quando o cliente vai utilizar para montar alguma chamada do programa, desse jeito ele pode colocar músicas de fundo ou algo do tipo.

9) Quais os trabalhos que você mais gostou de ter feito?

Gosto de vários trabalhos que já fiz aqui, mas citando os que mais gostei:

Diary of Anne Frank (O Diário de Anne Frank) (1959); Eu adorei esse trabalho porque, além de ter traduzido ele (hahahahahaha), foi um desafio novo de mixagem pra mim, o filme é de 1959, então a mixagem, diferente das outras, tinha que ter uma cara mais “envelhecida”, porque se não ia ficar muito diferente da M&E e do visual do filme. Tive que fuçar mais nos plugins disponíveis pra chegar num bom resultado (que, por sinal, eu gostei bastante).

August Eighth (Guerra de Agosto); Esse filme foi o primeiro que eu fiz uma mixagem 5.1 pra dublagem! O filme é da Fox, a M&E tava muito completa, o filme tem cenas de guerra muito bem feitas, tem algumas cenas que se passa na “imaginação” de um garoto, substituindo a guerra por um tipo de fantasia estilo Transformers, então são muitos sons muito bons de se ouvir, cenas cheias que davam trabalho pra colocar todas as vozes ali dentro daqueles ambientes de guera. Fora que tinha um personagem na imaginação do menino que se chamava Makrovlast, ele era um vilão meio robotizado, o efeito da voz dele foi muito legal de fazer.

Mara und der Feuerbringer (Mara e o Portador do Fogo); Gostei muito desse trabalho porque o filme é muito bom, várias referências à cultura pop/nerd/geek, e o vilão do filme “O portador do Fogo” é um tipo de elemental de fogo, também foi muito legal de fazer essa voz (https://soundcloud.com/dansfx/sets/fire-elemental). Gosto muito de fazer esses efeitos de vozes! Fora que essa foi minha primeira mixagem pra Globo.

Pokémon; Trabalho com Pokémon desde a 15ª temporada e desde a 17ª temporada eu sou responsável pelo controle de qualidade de áudio da série aqui no Brasil, é muito satisfatório pra mim, vendo como comecei no estúdio, ter responsabilidades assim agora.

Gosto muito de todos os trabalhos que faço, mas vou deixar só esses porque se não a lista vai ficar enorme. (hahahahahahahah)

10) Você deve ter despertado o interesse em alguém (rs), tem alguma dica para quem quer seguir carreira num estúdio de dublagem?

Pra trabalhar como técnico de som em estúdio, precisa saber mexer no Pro Tools, o básico pelo menos, apesar de que, quanto mais souber, melhor. O curso de produção musical é bem mais específico (o da Anhembi é tecnólogo, dois anos) e, por conta disso, você fica com um conhecimento bem melhor pra trabalhar com gravação e mixagem. Caso queira algo mais acadêmico com um leque maior de opções do que fazer, recomendo algum curso de Rádio e TV ou de Audiovisual.

Dentro do mercado também são valorizados cursos específicos, como os do IAV.

Agora, quanto a procurar vaga, conhecer alguém no meio ajuda bastante, mas uns 90% dos técnicos de captação trabalham como freelancer, é uma área que pode variar bastante a quantidade de trabalho dependendo das necessidades dos estúdios, então, caso queira procurar uma vaga nesse mercado, precisa ir aos estúdios, deixar um currículo, perguntar se pode passar um dia vendo o trabalho lá, conversar com o pessoal e correr atrás!

Quanto a trabalhar na pós-produção (Mixagem e QC), já precisa não só de um conhecimento maior, como de experiência também, e pra conseguir isso acho que o caminho mais fácil é passando pelo estúdio como técnico de captação e ir pedindo oportunidades dentro do próprio estúdio.

Aproveitando, caso alguém queira ver alguns trabalhos meus, eu atualizo todo mês meu portfólio online www.danilobattistini.com.

Preparamos um infográfico com a cadeia de produção da dublagem:

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Algumas fotos dos estúdios da Centauro, tiradas pelo próprio Danilo.

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Agradecemos ao Danilo pelas informações e desejamos mais sucesso ainda em sua jornada!

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Captadores

Captadores

Os captadores, como o próprio nome diz, captam as vibrações das cordas dos instrumentos elétricos e transmitem uma quantidade surpreendente de informação.

Não apenas a nota, mas também o envelope sonoro (ataque, sustentação, decaimento e repouso), o volume, a equalização e características do instrumento.

Eletromagnetismo

Um captador é, basicamente, um fio enrolado (uma bobina) em torno de um ímã. As vibrações das cordas dentro do campo magnético gerado pelo imã, induzem* uma corrente elétrica na bobina. Essa corrente é transmitida, através do fio, até o jack do instrumento e, através do cabo, até chegar ao amplificador.

Quanto maior o ímã e maior o número de voltas do fio, mais forte é o sinal gerado pelo captador, mas, por outro lado, perde-se um pouco da resposta de agudos.

Grandes ímãs também exercem uma grande força de atração sobre as cordas, reduzindo, assim, a sustentação do som.

Existem dois tipos mais comuns de ímãs usados em captadores: Alnico (Alumínio, Níquel e Cobalto) e Cerâmica.

Imãs de cerâmica são mais baratos e produzem um som mais brilhante, enquanto os ímãs de Alnico tem um som mais “quente”.

Single Coil e Humbucker

Existem dois tipos básicos de captadores: single coil (bobina simples) e double coil (bobina dupla). Um captador single é composto de uma só bobina. Um captador duplo é composto de duas bobinas ligadas em série. As duas bobinas têm a fase invertida entre si para cancelar o ruído (hum) normalmente captado pela bobina simples, da iluminação, das tomadas de energia e dos transformadores dos amplificadores (por isso afastar-se do amplificador pode reduzir o ruído nos singles). Este cancelamento (bucking) do ruído (hum) deu aos captadores de bobina dupla o nome de Humbucker (Cancelador de Ruído).

Ativos

Existem captadores com pré-amplificadores embutidos que são alimentados por baterias de 9 volts. Estes captadores são bastante silenciosos e podem ser extremamente potentes, sem sacrificar a resposta de agudos. Em contrapartida, estes captadores comprimem o som, limitando um pouco a dinâmica dos ataques, e também, produzem uma certa aspereza nos agudos, o que leva algumas pessoas a considerá-los “frios”, “sem vida” e responsáveis por fazer com que todo mundo soe muito parecido.

Localização

Muitos instrumentos que possuem mais de um captador usam, na verdade, o mesmo tipo de captador em todas as posições. Em uma guitarra Stratocaster, os três captadores são iguais, assim como os dois captadores em uma Les Paul. Então por quê conseguimos sons diferentes usando o captador do braço ou o da ponte? Em um violão acústico, ao tocar perto da ponte, ouvimos um som mais agudo, enquanto que ao nos aproximarmos do braço, produzimos um som mais grave e profundo. O captador apenas copia o que ocorre acusticamente.

Estas são algumas informações básicas sobre captadores, que podem auxiliá-lo na escolha de uma guitarra ou na troca de captadores.

*Princípios do eletromagnetismo – Lei da Indução de Faraday

Referência: Getting Great Guitar Sounds – Michael Ross 2nd Edition

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê Central Art fb.com/leandrofonsecatgk

Mousikê Central Art – Escola de Música + Loja + Estúdio

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Rotina de Estudos Práticos

Rotina de Estudos Práticos

Como responder à pergunta que não quer calar: Qual a melhor forma de organizar os estudos para conseguir bons resultados?

Rotina de Estudos Diários

Eu acredito que a melhor forma é organizar uma rotina de estudos diários. Nada de horas de estudos, para a maioria das pessoas isso é impossível, mas uma rotina leve, algo entre 15 e 30 minutos diários.
*Se você não consegue se organizar para ter no mínimo 15 minutos de estudo em dias alternados, sinto lhe dizer que você demorará muito para aprender, se conseguir.

Nós, seres humanos, somos procrastinadores natos. Isso é um fato. Eu acredito que, sem disciplina, fica realmente muito difícil manter os estudos a médio ou longo prazo.

– Escolha um horário
Algumas pessoas são mais ativas ou estão mais propensas a realizar atividades no período da manhã, outras à tarde ou à noite. Escolha o melhor período pra você. Se você tem atividades durante o dia todo, trabalha durante o dia e cursa uma faculdade à noite, por exemplo, considere acordar um pouquinho mais cedo ou ir dormir um pouco depois. Talvez consiga se programar para estudar entre o trabalho e a faculdade. Lembre-se que estamos falando de 15 a 30 minutos para fazer algo que você gosta, algo pra você, por você. Pense bem, pode ser uma das poucas coisas que você faça no dia que seja exclusivamente por você, porque você quer, porque é um desejo seu. Acho que vale a pena. Se você tiver problemas com barulho para estudar muito cedo ou tarde, pesquise opções de instrumentos eletrônicos, abafadores, surdinas, algo que possa ajudá-lo a ter o som um pouco mais controlado.

– O que estudar
Isso vai depender muito do seu instrumento, do seu nível, fica difícil especificar. Em todo caso, eu acho que o tempo é o seu melhor amigo nesse momento de concentração. Eu costumo dividir o meu estudo em porções de 5 ou 10 minutos ininterruptos para cada assunto. Durante meia hora, consigo realizar até seis exercícios diferentes e praticá-los durante 5 minutos, o que é muito bom para adquirir força e resistência. Insisto nos mesmos exercícios até que estejam bem automatizados mecanicamente, sem “pirar” muito com velocidade. Aliás, acho importante estudar com metrônomo e tentar desenvolver a velocidade, aumentando aos poucos, de 2 a 5 BPM de cada vez, mas dentro da sua capacidade. Não tente correr! Com o tempo, você conseguirá tocar mais rápido naturalmente. Forçar o seu limite pode ser prejudicial e acabar provocando alguma lesão. Tenha cautela.

– Rotina
Esta é a parte que considero mais importante e mais delicada. É preciso desenvolver o hábito. Estudar tem que deixar de ser uma “obrigação” e passar a ser algo natural. Muitas pessoas vão tentar desestimulá-lo: “Se você não estudar só hoje, não fará diferença”; você mesmo tentará se desestimular: “Hoje é domingo”“Hoje é feriado”, “Amanhã eu faço”. Não se boicote! Não há problema algum em você estipular os dias em que não vai estudar. Não estudar aos finais de semana, ou às segundas ou em feriados, nas férias. Tudo bem. Mas não fure com você mesmo! Nos dias e horários estipulados, faça chuva ou sol, você tem um compromisso consigo mesmo. Os resultados devem encorajá-lo a continuar. Acredite! É possível!

Esta é a MELHOR maneira de estudar? Não! É a ÚNICA? Com certeza não! Pra cada pessoa diferente, caberia uma resposta diferente.
É apenas uma boa maneira de criar uma rotina saudável de estudos, que com certeza trará bons resultados.

Se você tem mais tempo, pode, sim, tentar estudar um pouco mais. Fazer a mesma sequência de meia hora pela manhã e depois à tarde, talvez. Ou tentar cobrir mais assuntos. Um período de estudo para técnica, outro para repertório e outro para improvisação ou leitura, por exemplo.
Acho importante apenas não ter pressa. A pressa e a ansiedade são suas inimigas. Elas tentarão fazer você correr para tentar tocar mais rápido, para acabar logo, e tentarão também fazê-lo pular lições, considerar um exercício que ainda está “mais ou menos” como bom e ir pro próximo.

O cuidado é em entender o que é o “bom de hoje” e o “bom do futuro”. Se você continuar estudando com frequência, é claro que daqui a um ano estará bem melhor do que hoje. Isso não quer dizer que você deva passar um ano inteiro fazendo o mesmo exercício. Acredito que algo entre uma semana e um mês (7 a 30 dias) é o suficiente para você avançar, mas seja o seu próprio juiz. Avalie-se constantemente, tente perceber quando está apto a seguir.

Outra coisa, ao menor sinal de desconforto, PARE! Não é normal sentir dor, é um sinal de que algo está errado. Quanto maior o tempo diário dedicado ao estudo, maior deverá ser o número de vezes em que você fará uma pausa para descansar e se alongar. A ideia é não causar nenhum stress físico. Um professor poderá auxiliá-lo em relação à postura, melhor forma para segurar o instrumento, posição dos dedos, etc. e também a avaliar o seu rendimento e direcioná-lo na escolha dos exercícios.

Rotina e Produtividade
A rotina ajuda, e muito, a produtividade. Anote o que está estudando e se organize para avaliar os resultados. Você perceberá sua evolução em pouco tempo.
Sem organização, meia hora não é nada. Pode acontecer de você “desperdiçar” esse tempo só pensando no que vai estudar ou tocando coisas aleatórias. É preciso foco. E tem mais uma coisa, é melhor um pouquinho por dia do que tudo num dia só. Tem uma frase atribuída ao Bruce Lee: “Eu não tenho medo do homem que praticou 10 mil chutes diferentes, mas sim do homem que praticou o mesmo chute 10 mil vezes”. Nosso cérebro precisa ser estimulado continuamente para que se desenvolva.

Ensaio mental
Por fim, uma última informação. Ensaio mental ou pratica mental é uma técnica para estimular o nosso cérebro a pensar nos estudos, mesmo quando não estamos estudando. É isso mesmo, durante o dia, quando tiver um tempinho livre ou enquanto estiver desempenhando uma tarefa que não exija 100% da sua concentração, tente realizar mentalmente algum dos exercícios que estiver estudando, sem a execução dos movimentos. Imagine que está executando uma escala, por exemplo.

Pense na digitação, um dedo de cada vez, pense na sonoridade, no timbre, nas alturas. Pense na divisão rítmica. É possível resolver uma série de coisas realizando essa técnica. Isso trará excelentes resultados.

Bons estudos!

Leandro Fonseca – Compositor, Professor, Músico, Produtor e Diretor da Mousikê Central Art fb.com/leandrofonsecatgk

Workshops em Outubro/2015

Workshop

Workshops em Outubro na Mousikê Central Art

Dia 17, das 14 às 20h – Mixagem 2.0

Workshop sobre fundamentos do áudio, gravação, edição, mixagem e masterização.
Será feita a mixagem (ajuste de volumes, equalização, adição de efeitos, etc.) de uma música com baixo, bateria, guitarras, teclado, violão e vozes através de uma mesa de som e através do computador.
Dicas de como montar um home studio e gravar suas músicas em casa com qualidade profissional.
Você receberá uma apostila e a sessão de mixagem com todos os áudios para poder estudar.

Dia 24, das 14 às 17h – Efeitos

Workshop que aborda o caminho que um sinal de áudio percorre desde a sua fonte até chegar em um alto-falante.
Ênfase em processadores de sinal, efeitos e microfonação.
Dicas de regulagens, ordem dos efeitos (pedais), timbres e amplificadores.
Interessante para instrumentistas e cantores montarem e programarem seus sets de pedais e/ou pedaleiras.

Voltados para o público iniciante, não há pré-requisito para participar.

Vagas limitadas. Reserva a sua!

Mousikê Central Art – Escola de Música + Loja + Estúdio
Rua Cáspio, 80, Jd. do Mar, São Bernardo do Campo, SP 
Tel: (11) 4124-7654
 
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